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A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

VALONGO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO – EM QUATRO ANDAMENTOS...

Captura de ecrã 2021-04-30, às 20.25.13.png

§

 

 

 

 

 

 

 

1.  Adagietto (‘cascar’ no governo...): 

Os governantes e as autoridades de saúde do nosso País são um conjunto de idiotas – só pode... - no que toca a ‘confinamentos cegos’, no que a Valongo diz respeito pelo menos...

Agem relativamente às fases de combate/contenção da Covid 19 como se o território nacional continental fosse um conjunto de 278 Concelhos divididos por uma barreira física e com uma porta de entrada e outra de saída e que pudessem ser abertas ou fechadas conforme as necessidades.

Um “suponhamos” para esta IDIOTICE: amanhã, dia da mãe (também em Valongo) estou a pensar convidar uns familiares para virem a Alfena almoçar comigo, mas como em Valongo não há restaurantes abertos, vamos ‘ali ao lado', ao Maiashoping, passe a publicidade, e estamos à vontade. A seguir, fazemos um périplo pelas várias lojas (Worten, CA, Sport Zone) passe, de novo, a publicidade e fazemos umas compras de conveniência adiadas pelo confinamento.

Como, entretanto, já é quase final da tarde, regressamos a Alfena (pelo interior, ali pela periferia da Maia, e escolhemos uma esplanada bacana para um lanche ajantarado...

2. Andante (‘cascar’ na Câmara): 

- Eu até concordo com as isenções de taxas e procedimentos complicados no que toca à instalação de esplanadas (restaurantes, cafés e pastelarias, etc.) porque isso pode contribuir para minimizar o risco de propagação do vírus.

Mas daí a permitir-se (por omissão de fiscalização) que uma esplanada se instale num passeio exíguo e obrigue as pessoas com mobilidade reduzida ou uma mãe (ou pai) com um carrinho de bebé a descerem ao alcatrão para não prejudicarem o negócio – digno e respeitável, não é isso que está em causa - ou, pior ainda, permitir-se (devido à falta de espaço) que as mesas estejam tão juntas que os clientes ficam costas com costas é que não me parece, de todo, nem adequado, nem inteligente, nem responsável...

Onde param os fiscais municipais a percorrerem o território no sentido de imporem um adequado ordenamento, a porem termo a estes abusos e a solicitarem a intervenção das autoridades policiais se tal se tornar necessário? 

Será que todos, incluindo os elementos da Protecção Civil Municipal, estão em teletrabalho?

3. Allegro (‘cascar’ na GNR):

- Passamos no Parque Vale do Leça e vemos grupos de pessoas sem máscara, a ‘piquenicarem’ a socializarem, a conviverem e a refrescarem-se por dentro e GNR nem vê-la!

- Vemos esplanadas com clientes que não estão a consumir – estarão à espera ou já acabaram de o fazer – sem máscara e em amenas cavaqueiras. A GNR passa de quando em vez, de carro – eu já o presenciei inúmeras vezes – mas, geralmente, os guardas vão tão atarefados nas suas inúmeras outras tarefas que nem param nem...reparam.

- Policiamento de proximidade e a pé, é coisa rara de se ver aqui por Alfena. Estarão as nossas forças policiais em teletrabalho?

4. Allegro ma non troppo (‘cascar’ no presidente da Câmara).

Tenho quase a certeza que José Manuel Ribeiro (presidente da Câmara de Valongo) foi tão apanhado de surpresa como os comerciantes do seu(?) Município, que se viram de repente ‘retidos’ na 3ª. divisão do campeonato Covid 19. 

Se calhar, o carro topo de gama da função que lhe está atribuído e que nós ‘pagamos e não bufamos’ para que ele possa fazer a viagem de ida e volta entre Valongo e Oliveira de Azeméis (embora tenha residência oficial em Valongo), se calhar, o dito tem o rádio avariado e por isso ele não ouve as notícias ditas e repetidas nos últimos dias com referências a alguns Concelhos, onde se incluía Valongo, sobre a ameaça de recuo no desconfinamento que sobre eles pendia...

Se calhar é isso e a culpa ainda vai ser da senhora da limpeza que desligou algum fio ou do electricista que queimou o fusível que alimenta o rádio ou, quem sabe, do senhor que em nosso nome tratou do leasing da viatura...

 

 

publicado às 20:18

PAÍS DE ABERRAÇÕES - VALONGO, 'take' 1...

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Captura de ecrã 2021-02-06, às 15.17.18.pngA cavalgar ainda a crista desta onda pandémica que deixará o mundo completamente virado do avesso em termos sociais e económicos e com cicatrizes e sequelas que perdurarão por muitos e muitos anos, constatamos que no nosso país há ainda ‘poderes’ que teimam em avançar em contra ciclo e contra o interesse comum dos seus cidadãos, nomeadamente o interesse dos mais frágeis e desfavorecidos.

O poder central, o poder local, o  'poder’ social capturado ou comprometido, o 'poder’ religioso e outros poderes que, alegando sempre não o serem (‘poder’ ilegítimo) tudo fazem para o exercer de facto ou o influenciarem de forma decisiva.

 

E porque "em Valongo devemos ser valonguenses" Falemos então deste 'subúrbio' da Grande Cidade de 'onde houve nome Portugal’...

 

Em Valongo reina um dos piores exemplos do poder 'socialista' que manda no País com o beneplácito de 'cores políticas' que até não há muitos anos atrás ninguém sequer imaginaria encontrar na mesma paleta:

Em Valongo manda o PODER CORRUPTO, irresponsável, socialmente condenável, ou seja, o ÚNICO PODER que não deveremos permitir que subsista e prevaleça e cujo símbolo assenta na figura lamentável e deprimente de um ‘prefeito’ demasiado imperfeito para ser reeleito nas próximas autárquicas que se avizinham - José Manuel Ribeiro de seu nome.

Ele que subiu a pulso alavancado na traição aos seus correligionários de então - Maria José Azevedo, Afonso Lobão e outros cor de rosa ilustres e trucidados por ele.

José Manuel Ribeiro herdou, é um facto, uma Câmara afogada em dívidas de 'cor laranja' e é também um facto, tem vindo a recuperar dessa situação com algum sucesso...

Mas será que essa recuperação se deve a José Manuel Ribeiro?

 

Claro que não!

 

Tal recuperação – até á pandemia pelo menos – resulta da reanimação dos negócios e da construção imobiliária que são méritos das empresas e dos investidores privados e é alavancado pela dimensão ‘pornográfica’ das TAXAS E TAXONAS que, no Município de Valongo são aquilo que são, isto é, um verdadeiro esbulho!

Mas José Manuel Ribeiro não colide apenas com aquilo que seria o dever de proteger os interesses ‘macro’ do Município a que preside.

Colide também com o que de mais básico se exigiria em termos solidários relativamente aos seus munícipes mais humildes e desfavorecidos.

Numa altura de confinamento imposto – e bem – pelo combate a esta pandemia em que a esmagadora maioria dos portugueses são forçados a ficar em casa, o idiota de seu nome José Manuel Ribeiro descobriu que essa era a melhor oportunidade de melhorar a factura da BEWATER VALONGO, a concessionária das Águas e Saneamento,  que ele - porque foi no seu mandato que tal ocorreu! – favoreceu com um aditamento ao contrato de concessão à medida e que apenas penaliza os munícipes!

José Manuel Ribeiro prometeu em 2013, ano em que foi eleito com o meu apoio - E PODEM PUXAR-ME AS ORELAHAS À VONTADE... – que iria ‘Mudar Valongo’ e acabar  com a corrupção, com o favorecimento ilícito, com a VERGONHA da Fiscalização Municipal, entre outros ‘cancros’ por extirpar...

 

Mas não, não foi nada disso que fez!

 

Pelo contrário, ele “(...) aprimorou a corrupção que dizem existir na Câmara de Valongo, protegeu os seus agentes mais conhecidos e rapidamente assumiu como sua a estratégia de um jogo que já estava a ser jogado (...)

 

(Extracto do processo que moveu contra mim - ‘Julgamento do Século’ em que me tentou extorquir 100 mil euros por alegada difamação, o qual perdeu em toda a linha até à última instância, o Supremo Tribunal de Justiça!).

 

- José Manuel Ribeiro NÃO PODE, PORTANTO, SER PREMIADO no próximo acto eleitoral por agir contra os interesses dos valonguenses!

- José Manuel Ribeiro NÃO PODE, PORTANTO, SER PREMIADO por se integrar no esquema de corrupção que em Valongo foi extinto – porque ele o ‘acolheu e aprimorou’!

- José Manuel Ribeiro NÃO PODE, PORTANTO,  SER PREMIADO por favorecer os amigos que NUNCA são os amigos de Valongo!

- José Manuel Ribeiro NÃO PODE, PORTANTO,  SER PREMIADO por manter na liderança dos serviços jurídicos da Câmara um deputado/advogado como Ricardo Bexiga!

- José Manuel Ribeiro NÃO PODE, PORTANTO, SER PREMIADO por manter como número 3 do executivo (aliás e em boa verdade, de facto, o número 2) um vereador que é empresário da construção civil com interesses ligados à construção civil e à especulação imobiliária e às obras públicas (eng.º Paulo Ferreira), e que durante o primeiro mandato de JMR exerceu de forma ilícita as funções de adjunto de Presidente!

 

- JOSÉ MANUEL PEREIRA RIBEIRO é um ‘corpo estranho’ que URGE REMOVER da epiderme do nosso tecido municipal e AINDA ESTAMOS A TEMPO DE PROGRAMAR ESSA CIRURGIA!

publicado às 15:10

"NÃO NEGUES À PARTIDA UMA CIÊNCIA QUE DESCONHECES"...

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Tenho alguns bons amigos que integram de forma convicta a ideia do 'negacionismo' em relação à actual pandemia e não será - não é mesmo - por causa disso que deixarei de os incluir no meu núcleo restrito...

 

Como é evidente, não vou aqui apoiar-me em nenhuma das teses concretas que advogam porque isso iria seguramente expô-los, vou isso sim e a contrário sensu, tentar retirar força aos seus 'argumentos'.

 

Ora bem...

 

Sem tentar invadir o território (muito) minado das mais ou menos grandes discussões científicas, até porque me faltariam argumentos para contrariar ou defender algum dos lados em confronto, deixo aqui algumas achegas para a tese 'anti-negacionista':

 

1. Seria estranho, muito estranho mesmo e extremamente improvável conseguir agregar em torno da preocupação mundial com a actual pandemia um tão vasto conjunto de países e regimes tão diferentes e, aparentemente alguns, sem qualquer hipótese de ligação entre si;

2. A tese de que por detrás disto tudo estarão interesses específicos de supremacia financeira de uns em relação aos outros, pelas razões atrás expressas, também carecem de plausibilidade. No fundo, e aparentemente, estarão todos a perder, sendo que os pobres esses continuarão como sempre foram,  muito pobres - de facto até têm sido algo poupados pelo vírus porque, infelizmente para eles digo eu,  não andam de autocarro, de metro ou de avião nem trabalham ou vivem em grandes núcleos habitacionais, nem vão ver a fórmula 1, nem vão à festa do àvante, nem aos convívios da elite de Lisboa ou de Cascais;

3. A tese de que "a morbilidade deste vírus é baixíssima e não justifica o pânico luso, hispânico, russo... mundial", também peca por falta de argumentos;

 

Vejamos:

 

-  O nível de propagação é de um grau até agora nunca visto;

-  A morbilidade deste vírus NUNCA pode ser dissociada dos efeitos que induz sobre todas as restantes morbilidades. Basta ver a lusa preocupação com o risco eminente que o nosso SNS corre de voltar a ter de 'cancelar' todas as outras doenças para tratar os doentes COVID. Voltaríamos portanto ao drama de ver morrer pessoas, muitas pessoas,  de AVC, de cancro, de, de... por causa da pandemia;

-  Há de facto uma imensa quantidade de gente assintomática que nem chega a sentir-se doente - refiro-me evidentemente a quem testou positivo - contudo, todos podem dar início a cadeias de contágio que nunca se sabe como evoluem nem quando poderão apanhar aqueles que sofrendo de co-morbilidades correm de facto riscos muito concretos e graves;

-  Mas não nos esqueçamos  dos que precisam de uma cama hospitalar a qual, em certo momento do processo,  terá de ser 'roubada' a um qualquer doente não COVID;

-  Por último, existe o grupo menor mas cada vez mais preocupante que é o daqueles que precisarão, ou logo de início ou então um pouco mais à frente, de uma cama em Cuidados Intensivos e de um ventilador.

Admitindo em tese que alguns países tivessem a capacidade da China para erguer 1, 10, 100  hospitais dedicados a doentes COVID, muito poucos - arrisco mesmo dizer  que nenhuns - teriam a capacidade de os dotar a curto prazo com equipas de médicos e enfermeiros suficientes e muito menos ainda com a especialidade de intensivistas e capazes de manobrar os 'roll-royce' da medicina moderna actual que são as UCI's que conheço vagamente;

-  Ouvi há dias um especialista a discorrer sobre este tema - não fixei o seu nome - e que disse que "a partir de um certo momento, cada cama UCI terá que ser 'roubada' a outro doente grave já programado para ela" (acredito que não estaria sequer a imaginar algum médico a levantar algum doente já deitado na mesma). Não tenho dúvidas de que esse momento chegará de facto, pelo menos em relação aos doentes COVID em UCI. 

Aquele temor extremo de muitos médicos de,  pelas razões atrás expostas e se nada se fizer de MUITO diferente para travar a cavalgada ascendente dos números,  terem de 'rastrear' os doentes que devem ser salvos e aqueles que se deve deixar 'morrer em paz' irá chegar. Lembremo-nos do que aconteceu na 'primeira vaga' em Itália e Espanha...

4. Se não corresse o risco de ser apelidado de presunçoso ou dar uma falsa ideia de supremacia intelectual que não possuo - falsa porque só conheço a realidade concreta através da descrição de alguns amigos que a vivem por dentro quase todos os dias - aconselharia os meus amigos  'negacionistas' a informarem-se sobre 'o dia de cada vez' de um doente grave COVID internado em UCI.

Alguns que sobreviveram  não contam nada de bom e os médicos e enfermeiros que deles cuidaram também não...

5. Por último: "a pandemia é uma narrativa" - que visaria desconstruir tudo o que foi conquistado ao longo dos tempos em termos de direitos laborais ou então, levar os grandes grupos ou senhores do mundo a, de uma forma diferente daquela que habitualmente estamos habituados a ouvir ao longo dos anos, darem cabo dos mais fracos  com vistas a uma nova ordem e uma divisão de interesses e de territórios em novos moldes e blá-blá-blá...

Ora bem...

Até pode ser que a pandemia possa conduzir a esse desiderato - em muitos casos isso já está a acontecer algures em alguma parte do globo - mas no entanto, ela existe mesmo, é grave e pode de facto matar-nos ou àqueles que mais amamos - de forma directa ou por efeito induzido mas pode!

Cuidem-se!

 

 

 

publicado às 14:35

A PROPÓSITO DE “prémios” PARA OS PROFISSIONAIS DO NOSSO SNS...

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(Ou como o incómodo de uma longa espera 'com a barriga a dar horas' e o relativo desconforto de uma cadeira pouco amigável, numa sala de espera do Hospital S. João, puderam ser compensados por uma dose generosa de humanidade)...

 

Os nossos profissionais do SNS, pela sua dedicação, pela ancestral capacidade que os portugueses têm de ‘fazerem das tripas coração’, conseguem sempre e para bem de todos nós, colocar em ‘stand by’ a humana revolta que todos os dias os invade pela recorrente escassez de meios e pela sistemática falta de tudo aquilo que por mais básico que possa parecer, se torna imprescindível  para o seu trabalho quotidiano.

 

Ainda assim, mesmo com poucos ovos, a evidente escassez de braços para os bater e tantas bocas para alimentar, a sua imensa capacidade de superação temperada por generosas doses de profissionalismo de que nenhum governante jamais os conseguirá compensar e menos ainda retribuir, conseguem fazer boas ‘omeletes’ e servi-las aos pacientes que lhes chegam às mãos todos os dias.

 

(Sei do que falo - porque me movimento no meio - e sabendo-o, há muitos anos que assisto aos anos que passam sobre o muito que não se tem feito e se continuará a não fazer - pelo menos enquanto o Povo não tomar nas mãos as armas com que se fazem as coisas certas).

 

Assistentes operacionais, enfermeiros, médicos, no Hospital S. João mas não só, conseguem sempre e apesar de tudo receber-nos com 'aquele sorriso número 1’  - como se cada um dos muitos que todos os dias os procuram fosse a pessoa mais importante desse dia, como se fosse A PESSOA...

 

É claro que todos sabemos que o estado deprimente desta, daquela ou aqueloutra sala de espera só está e continuar a permanecer assim porque milhões têm sido roubados, subtraídos, desviados pelos do costume ou para atender às prioridades invertidas de uns quantos também conhecidos.

 

Depois seria inevitável que o exame marcado para as 12 horas no serviço de Hematologia do Hospital S. João só  pudesse ocorrer por volta das 14:30 e mesmo assim graças à solidariedade do Dr. Pedro que “ia agora mesmo almoçar qualquer coisa mas como a sua consulta ainda é do período da manhã, vou vê-lo primeiro...” – e aquele sorriso como que a dizer “dividimos a fome e assim custa menos a cada um de nós, não é assim?”.

 

Claro que é, Dr. Pedro, porque o Serviço de Hematologia do Hospital de S. João é excelente e porque a sua escassez material é compensada com o verdadeiro excesso de profissionalismo e humanidade com que nos recebe.

 

(Foi assim hoje, neste Hospital com H Grande, onde as omeletes se fazem com poucos ovos mas mesmo assim se fazem, no Hospital de S. João - O HOSPITAL.

 

Nos últimos dias tive oportunidade de ver com mais detalhe como é que, num Hospital que no seu dia a dia fervilha como uma pequena cidade, é possível continuarmos a sentir-nos pessoas e a podermos ser acompanhados em relação a problemas aparentemente 'incompatíveis' com as prioridades do contexto COVID que tudo tende a desvalorizar.

 

(Por vezes existem 'pequenos' problemas cujo despiste não pode ser adiado, doenças raras que necessitam de ser diagnosticadas, eventualmente tratadas e necessariamente acompanhadas e existe também uma certa polineuropatia desmielinizante inflamatória crónica’ que não sendo nenhuma 'sentença de morte' pôde mesmo assim ser diagnosticada e ver iniciado o seu tratamento futuro - para que a imensa perda de mobilidade e qualidade de vida a que a ausência de acompanhamento inevitavelmente conduziria. E tudo está a ser feito ao mais ínfimo detalhe e de acordo com os mais rigorosos parâmetros de acordo com o actual estado da arte - e tudo isto sem descurar tudo o resto...

 

E ainda foi possível constatar a atenção e o carinho contido naquela repetida interrogação do assistente operacional (ou voluntário?)  que ia passando com o carrinho de tabuleiros pelas várias salas de espera – “alguém quer uma sopinha?” - como quem sente vergonha alheia pela demora e pelo desconforto do almoço falhado daqueles muitos...

 

(Porque o director do hospital, o administrador, o director clínico, até podem ter ido almoçar mais ou menos a horas, mas não se esqueceram dos seus pacientes e do aconchego do conteúdo daquele pequeno tabuleiro: a tigelinha de sopa passada, um pão e a taça de maçã assada. Declinei a oferta –  afinal o Dr. Pedro devia estar prestes a chamar-me para 'aquela punção óssea destinada a recolher material para uma biópsia de despiste’ - mas foi como se tivesse saboreado à mesma o modesto manjar servido ao único que disse 'sim', de entre a meia dúzia de companheiros de sala com o almoço igualmente atrasado ou adiado)...

 

E no meio das muitas dúvidas que sempre nos assaltam no silêncio de uma qualquer sala de espera de um qualquer hospital onde por vezes se cruzam múltiplas e variadas situações, dei por mim a dizer muito baixinho, para que o meu pensamento não pudesse ser escutado pela minha companheira de meia vida já vivida e que hoje, como aliás sempre, não prescindiu da minha companhia (a recíproca também é verdadeira...) - “como é insignificante, apesar de imenso à escala pessoal, o meu problema, quando comparado com o daquela senhora que aguarda a consulta de quimioterapia, confinada à sua cadeira de rodas e à ajuda do seu marido que aparenta dificuldades muito próximas das dela”...

E quão ‘injusto’ considero que o profissionalismo temperado de carinho q.b. que me foi dispensado pelo assistente, o enfermeiro, o médico – extensão feminina implícita – tenha sido idêntico àquele com que dispensaram ao tal casal idoso da quimioterapia – porque o sofrimento deles era visível e imensamente superior ao meu.

 

Mas é bom, muito bom mesmo,  este 'problema' de termos os mínimos da qualidade humana dos nossos profissionais do SNS bem acima dos outros mínimos relativos à qualidade das instalações – porque o que se gasta para engordar os ‘novos bancos’, as ‘tap’, as ‘ppp’ deste País e tudo o resto que não me ocorre enumerar, inevitavelmente continuará a escassear para atender a 'ninharias' relacionadas com situações de conforto ou bem estar dos portugueses que ficam doentes. Tenho esperança que um dia, que espero não tarde muito, possamos todos contar com uma qualidade de instalações equivalente à dos privados, que eu também conheço, mas que apesar disso ficam a léguas do nosso Serviço Público...

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PS: teve piada aquela expressão do Dr. Pedro "você tem uns ossos duros de roer" - isto já depois do trabalho de mandril a raspar ums lascas para a tal biópsia. É bem capaz de ser verdade e quiçá todo eu seja de facto 'um osso duro de roer' - no desabafo verdadeiro mas nunca confessado de alguns 'inimigos de estimação...

publicado às 18:55

CORRUPÇÃO EM VALONGO - 'TAKE' NÃO SEI QUANTOS...

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Foi notícia esta semana a dedução de acusação contra o ex-deputado Agostinho Branquinho, actual administrador executivo do Hospital da Prelada,  Fernando Melo, ex-presidente da Câmara de Valongo, Carlos Teixeira - que foi comandante dos Bombeiros de Ermesinde e onde foi acusado de assédio a uma Bombeira - escrevi sobe isso também AQUI - e Maria Trindade Vale, seus vereadores à altura dos factos, o Arq.º Vítor Sá - escrevi sobre ele e a sua condenação a uma pena suspensa AQUI - um engenheiro e outros.

A acusação menciona actos de prevaricação, falsificação de documentos e outros ilícitos em torno da construção do Hospital privado de S. Martinho, em Campo os quais remontam ao ano de 2005 através de uma autorização ilegal da construção de 2 pisos além do projecto inicial licenciado e em clara violação das regras do PDM então em vigor.

Não estão em causa sequer os fundamentos do Ministério Público para produzir esta acusação mas fazê-lo 15 anos depois é já verdadeiramente uma 'marca identitária' da nossa Justiça.

Às vezes até parece - e este caso não foge à regra - que a nossa Justiça funciona como aqueles 'acumuladores compulsivos' que vão juntando, juntando, juntando até que a porta - neste caso a gaveta - já não abre, tal é o volume de coisas acumuladas...

Aparentemente, o nosso MP tinha a gaveta já tão cheia tão cheia de 'arquivo morto' que não lhe restava outra coisa que não fosse fazer uma 'queima' controlada, contando à partida com a 'facilitação processual' consubstanciada num mais que previsível requerimento de abertura de instrução que facilitará um definitivo e conveniente 'óbito'...

A ver vamos...

 

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Numa estranha associação de ideias, veio-me à memória um outro processo mais ou menos com a mesma 'idade', de contornos muito parecidos e envolvendo igualmente o Dr. Fernando Melo e o seu vereador à altura, José Luis Pinto.

Tinha a ver com uma monstruosa violação do PDM, actos de prevaricação e tráfico de influências, burla, entre outros, favorecendo um fundo de investimento imobiliário ligado ao Santander, o NOVIMOVEST, na implementação de uma vasta área 'expropriada' às Reservas Ecológica e Agrícola Nacionais (REN e RAN) em Alfena.

Sucessivamente denunciados pelo Dr. Paulo Morais, pelo PCP de Valongo e posteriormente por mim, deram origem a uma long(uíssim)a investigação que foi sendo arquivada e reaberta ao longo dos anos e arquivada definitivamente arrumada há poucos meses atrás depois de uma última tentativa minha de pedir a abertura de instrução sendo premiado com uma multa de 2 UC (2x102€) por ousar incomodar o nosso MP.

 

Serei apenas eu a ver nestes dois procedimentos do MP relacionados com o mesmo fenómeno, situados no mesmo Concelho e até com actores comuns entre si, uma estranha contradição - ou como diz o nosso Povo, 'dois pesos e duas medidas'?

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PS:

Gostei muito de ver anunciada esta intenção do actual presidente da Câmara de Valongo - AQUI:

A Câmara de Valongo, liderada por José Manuel Ribeiro, vai constituir-se assistente e reclamar indemnização por prejuízos associados à violação do PDM.

(Lembro que ainda há poucos meses o presidente Zé Manel condecorou Fernando Melo por relevantes Serviços Públicos - AQUI )...

 

 

 

 

 

 

publicado às 10:23

PAÍS DE PAIS DESNATURADOS...

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Que pai desnaturado será capaz de sujeitar os seus filhos às privações mais extremas incluindo viver debaixo de uma qualquer ponte ou viaduto e com uma placa de cartão como tecto, parede e agasalho ao mesmo tempo ou à fome mais ou menos exposta ou ainda à impossibilidade de aceder aos cuidados médicos mais elementares e vitais e tudo isto apenas e só para conseguir pagar a prestação milionária ‘daquele Ferrari’ estacionado ali na berma e ao lado do tal viaduto dos múltiplos tectos de cartão?

Exagero, dirão muitos, estes exemplos não têm nenhuma ligação com qualquer realidade porque nenhum pai seria capaz de descer a um tal ponto de degradação moral!

Exagero coisa nenhuma!

Equiparando para o efeito os governantes de qualquer País civilizado a ‘pais’ do seu Povo, vejamos o grau de degradação moral a que acabaram – ontem/hoje – de descer os governantes deste País sofrido e martirizado por décadas e décadas de corrupção e que dá pelo nome de Portugal...

Enquanto milhares e milhares dos seus ‘filhos’ sobrevivem graças à sopa dos pobres e à caridade mais ou menos ostensiva e ela própria tantas e tantas vezes inquinada por graves problemas de corrupção ou ainda por bondosas mas desgarradas e sempre insuficientes campanhas de angariação de ajudas em que os menos massacrados de todos os necessitados se vão revezando, ‘campanha sim, campanha sim’, o nosso ‘paizinho’ acabou de adquirir não um mas umas largas dezenas de Ferrari com... asas!

É claro que antes que os mesmos consigam voar, em grupo ou à vez, por vezes ou às vezes, rumo a destino nenhum ou ao mais próximo precipício como destino – o mais certo é ganharem raízes no imenso estacionamento onde jazem por enquanto – os famintos de vida a prazo perderão a vida e a fome - porque os mortos não sentem fome...

Mas rejubilemos entretanto, porque nada é mais reconfortante para quem está no corredor da morte e prestes a dar o irreversível passo em frente do que uma última refeição digna desse nome seguida daquele definitivo cigarro onde a nicotina por uma vez não ficará com os louros do definitivo desenlace.

publicado às 00:09

POR UM 25 DE ABRIL SEM DONOS NEM 'FIGURAS TUTELARES'...

É claro que não gostei de ser - indirectamente embora - apelidado de 'facho'!

 

E Isto apenas - e não é pouco - por causa da minha posição sobre o '25 de Abril dos engravatados', este ano em versão mais reduzida mas igualmente idiota pelo formato 'VIP' que segue e que o Povo desde há muito tem votado sistematicamente ao desprezo.

 

Tentar reduzir a petição que subscrevi e que recolheu mais de 100 mil assinaturas a um conjunto de 'direitolas' que estão contra o 25 de Abril é evidentemente idiota e visa apenas camuflar o essencial: quem a subscreve não está contra o 25 de Abril - nem sequer contra a idiota sessão solene de todos os anos - mas contra o mau exemplo e a falta de respeito consubstanciados na sessão de 2020.

Tenho muitos e bons amigos que não gostam mesmo do 25 de Abril e apesar de saberem de que 'lado estou' nunca deixaram de me  honrar com a sua amizade e por maioria de razão já não tenho pachorra para aturar alguns pseudo amigos que acham que 'o 25 de Abril deles á maior que o meu' ou que os cravos deles são mais viçosos e vermelhos que aqueles que cultivo no meu canteiro!

 

Quero dar 4 exemplos de gente que gosta do 25 de Abril de forma muito diversa da minha, ou seja, muito 'à sua maneira' e que, no caso dos dois que se seguem, juntam a isto um sectarismo primário e quase boçal.

 

- O Adelino Soares e a Sónia Sousa, deputados do PCP na Assembleia Municipal de Valongo onde durante um mandato também estive com eles e que se não fosse o 25 de Abril - aquele de que eu gosto muito - não seriam deputados de coisa nenhuma nem sequer de Valongo e que não se coibiram de trazer em aberto para a rede social Facebook ataques pessoais à minha pessoa por causa do nosso 'Abril diferente'.

A sua execrável atitude fica com eles próprios eles que, pelo menos a Sónia, em 25 de Abril de 1974 ainda andavam de cueiros. Não é por gritarem Abril muito alto que gostam mais dele do que eu... 

 

- O Coronel Rodrigo Sousa Casto capitão de Abril e meu amigo, que com uma catrefada de incondicionais apaniguados alimentou  na rede social Facebook  uma intensa discussão em defesa dos que defendem 'a todo o custo'  este lamentável 25 de Abril de 2020 no Parlamento da nossa desgraça...  

A dada altura na longa lista de 'comentários e comentários aos comentários', não teve outra saída que não o 'argumento' de circunstância que me enviou em mensagem privada, em resposta ao texto que lhe enviei também em privado e que publiquei neste Blog - o 'post' anterior: 

"Lamento se o desiludi (...)" - porém, persistindo logo a seguir nos motivos da minha alegada desilusão...

 

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- O tenente-coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril e que foi meu comandante de Companhia no 1.º curso de sargentos milicianos (CSM) de Janeiro de 1969 nas Caldas da Rainha e que me deu a honra de me enviar com uma dedicatória especial o seu livro 'do Interior da Revolução'. Também ele me desiludiu este ano - 'não vai mas vai, em espírito' e concordando com o evento...

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E,  porque eu acho de facto que 'o meu 25 de Abril' é melhor que o vosso, quero deixar claro que não simpatizo nada com 'figuras tutelares', sobretudo as que se arrogam o direito de paternidade sobre as mais amplas liberdades! 

 

O Povo não deve nada aos capitães de Abril!

 

Eles tiveram 'apenas' a honra - e não foi coisa pouca - de corporizar a ânsia de todo um País aprisionado durante 40 longos e penosos anos e por isso mesmo ávido de Liberdade.

 

Aliás foi esse mesmo Povo respondeu ao apelo do MFA e veio em força para as ruas colocando-se de forma corajosa entre os militares de Abril e os outros, os defensores da ditadura,  num imenso 'escudo humano' que impediu estes últimos de ir mais longe nas acções insensatas que ainda chegaram a esboçar e que poderiam levar à inevitável perda de vidas humanas.

 

O Povo está (apenas) grato aos capitães de Abril e isso já não é pouco!

 

 

 

 

publicado às 10:19

O 25 DE ABRIL DOS FINGIDORES...

Citando Pessoa...

O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

 

Captura de ecrã 2020-04-23, às 18.41.35.png

Mas nem só o poeta finge, porque fingir é uma arte multifacetada, transversal a todas as sociedades civilizadas e desenvolvidas - como a que caracteriza o actual momento que vivemos em Portugal.

 

 

Além do poeta, também fingem os deputados...

 

Fingem que exercem o poder em nome do Povo e fingem tão completamente, que chegam a fingir que é Abril o Novembro que lhes vai na alma.

Fingem que é igual ao da lapela o cravo que guardam no coração, mas não, a semelhança entre um e outro queda-se pela fonética.

 

Captura de ecrã 2020-04-23, às 18.33.15.png

Quando começarem a desembrulhar as suas habituais e bem elaboradas prosas no próximo dia '25 de Abril dos não confinados' a flor que emergirá das mesmas não será igual à flor dos canteiros de Abril mas antes uma outra menos vistosa e claramente diferente - até pelas suas origens mais inóspitas: uma flor de cardo selvagem...

 

Mas não estarão sós nessa arte da ilusão de que também se vem fazendo Abril, o Abril de todos os anos que já se somam ao Abril autêntico...

 

Os capitães - agora tenentes-coronéis ou coronéis - também estarão presentes neste acto de 'supremo fingimento' e fingirão que a bênção que levam aos detentores do efémero poder é igual à que ali levaria Salgueiro Maia se ainda vivesse e fosse convidado.

 

Mas não!

 

Salgueiro Maia nunca aceitaria sentar-se naquela casa que se convencionou chamar 'Casa da Democracia' mas que nos últimos anos se transformou na verdade numa versão engalanada da caverna de Ali Babá, uma verdadeira central da corrupção - esse mortífero 'vírus' que há muito circula já ao nível da comunidade pelo que já não há 'cordão sanitário' que consiga impedir a sua penetração no tecido e nos órgãos do País. 

Os capitães de Abril estarão ali portanto e também eles, a fingir que é Abril da nossa alegria que ali se comemora e não o Novembro do nosso descontentamento...

 

Mas há uma outra bênção que ali será levada...

 

Sua eminência o Cardeal Patriarca D. Manuel Clemente, vai também fingir que está ali em representação dos católicos de Portugal, esses sim confinados e recolhidos ao seu redil.

E fingirá ainda que é em nome de Deus que abençoará os participantes no evento pequeno - pequeno mas não confinado nem mascarado que máscara é adereço de quem trabalha ou trata da saúde ao seu semelhante...

 

A Deus o que é de Deus e aos homens o que é dos homens!

 

E esta conveniente separação, D. Manuel Clemente,  é ainda mais importante quando a maioria dos homens que ali estarão presentes são pessoas de 'mau-porte' - no pior sentido da palavra e comparações aparte com o porte de Maria Madalena...

 

 

publicado às 16:28

25 DE ABRIL de 2020 - ONANISMO E AUTOGRATIFICAÇÃO DO NOSSO PARLAMENTO ...

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Como é que eu vou explicar à minha filha de 12 anos esta cerimónia?

 

(Não, não tenho uma filha de 12 anos, mas permitam-me que faça de conta que tenho para melhor poder falar das histórias reais – apenas os nomes referidos não o são – relativamente às quais eu e milhões de portugueses tivemos de alterar procedimentos por causa da pandemia. A minha ‘filha de 12 anos' vai seguramente ligá-las a esta lamentável comemoração e questionar-me sobre) a mesma.

 

Na Páscoa deste ano, a minha afilhada Joana contava, como habitualmente, com a presença dos padrinhos e da prima na casa dos seus pais em Guimarães. Tomaríamos as devidas precauções – temos álcool-gel, máscaras e luvas e cuidado bastante para os usar – mas todos optamos por cumprir a Lei e mandamos-lhe o ‘folar’ em dinheiro e por transferência bancária...

 

A minha irmã Maria, que é solteira e vive sozinha na mesma terra que eu e a 500 metros da minha casa, costuma almoçar quase todos os Domingos na nossa casa. Este ano não o fez – aliás, já há mais de um mês que, e apesar desta curta distância, apenas falamos pelo telefone...

 

O nosso amigo Joaquim, um velho simpático a quem queremos muito – sim, eu disse velho e não idoso – morreu com COVID19 no Hospital de S. João.

Não pudemos ir ao velório de conforto familiar nem ao funeral que apenas foi acompanhado pela neta mais nova, a Rita e por mais uma ou duas pessoas mais chegadas. A Rita gravou um pequeno vídeo da cerimónia para nos mostrar...

 

Quando está bom tempo – e estamos na Primavera, uma estação em que começa a estar bom tempo muitas vezes – eu a minha mulher e a minha filha costumávamos dar um salto – de carro, evidentemente – à marginal da Foz do Douro, de Leça da Palmeira, ou mais raramente, à de Vila do Conde ou Póvoa de Varzim para, depois de estacionarmos, fazermos a nossa caminhada matinal e a seguir almoçarmos. Há imenso tempo - quase 2  meses - que não o fazemos...

 

Um amigo meu, que mora na mesma Cidade onde eu moro e por sinal, a menos de 1 quilómetro da nossa casa, está confinado na sua há vários dias, infectado com COVID19 (mas estável, felizmente). É uma pessoa a quem me liga muita amizade, pela sua preocupação com os outros, pelo seu envolvimento comunitário muito intenso, pela ajuda que sempre reparte com todos aqueles que dela mais precisam. Por todas as razões que ele compreende e também por respeito pela Lei, não fiz até agora nem farei qualquer tentativa às escondidas – que a curta distância até facilitaria – para o visitar...

 

Dito isto...

 

Eu percebo que o meu sobrinho António, que é motorista TIR  viage por esse mundo fora com o camião carregado de coisas essenciais para que todos nós possamos estar confinados nas nossas casas...

 

Como também percebo que a PANIKE – desta vez o nome não é ficcionado – Tenha podido atender uma encomenda especial e ma tenha entregue em casa (pão rústico, um pão de ló, e umas natinhas para matar saudades).

O País não pode parar totalmente e as pessoas precisam de comer...

 

Agora o que eu já não percebo – nem aceito...

 

É que um grupo de deputados se arrogue um ‘direito’ especial em relação ao comum dos cidadãos de comemorar no Parlamento uma data que me é muito querida, o 25 de Abril, desrespeitando as determinações gerais da autoridade sanitária nacional (a DGS).

E vão fazê-lo de uma forma solitária, onanista e auto gratificante , ainda mais solitária do que vem sendo costume, entre quatro paredes e apenas para fingirem – sim, eu disse fingirem – que gostam do 25 de Abril.

Apesar dos constrangimentos gerais do País, eles não quiseram abdicar da satisfação de envergar a fatiota nova que já tinham comprado nem de ler o discurso de circunstância que o assessor pago por todos nós lhes escreveu.

 

Alguém entendeu as críticas a esta iniciativa que incendeiam as redes sociais e relativamente à qual circula mesmo uma Petição já com algumas dezenas de milhar de assinaturas, como uma preocupação com o contágio e com a saúde dos nossos deputados e de alguns dos seus convidados...

 

Nada disso! Eles já são todos crescidinhos e não precisam que ninguém se preocupe com a sua saúde e, honestamente, tendo em conta o número de presenças que anunciam e algumas medidas de precaução que seguramente adoptarão, acho que o risco será mesmo diminuto.

 

O problema é o mau exemplo!

O problema é a desproporcionalidade ente a utilidade desta cerimónia e o precedente que se abre!

 

O Problema é que, ao contrário dos anos anteriores, os deputados celebram uma data de que a maioria deles nem gosta enquanto o Povo, ao contrário dos anos anteriores, não pode ter A FESTA que para ele o 25 de Abril merece!

 

E com tantos e mais alguns problemas associados a esta cerimónia onanista do 25 de Abril a mesma só pode ser classificada como uma Vergonha!

 

 

publicado às 12:54

EU VI UM PORCO ANDAR DE BICICLETA - JURO!...

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O meu País é um lugar lindo onde os pássaros ainda chilreiam de felicidade, onde os homens ainda são intrinsecamente bons, onde quem cometa um delito sabe que poderá ser punido de forma proporcional à gravidade do mesmo, seja porque apenas surripiou uma minúscula lata de salsichas da prateleira da loja ou porque roubou da ‘bolsa’ do meu lindo País uma caixa cheia de barras de ouro.

 

No meu lindo País, os administradores da Justiça usam como ‘instrumento de trabalho’ uma balança homologada e devidamente calibrada.

No meu País ainda se ouve música no quando caminhamos na rua ao fim da tarde - e se apurarmos bem o ouvido até conseguimos ouvir um solo de violinos em fundo...

Por isso nunca antecipamos nada de desagradável quando abrimos uma carta registada vinda de uma qualquer instância da nossa Justiça, como aquela que o carteiro me entregou ontem. Vinha do Tribunal Judicial da Comarca do Porto e continha o despacho de rejeição de abertura de instrução por mim requerido, relativamente ao conhecido processo daqueles terrenos comprados por 4 milhões de euros e vendidos por 20 cerca de meia depois – onde estão instaladas as empresas Chronopost e  Jerónimo Martins, em Alfena.

 

Após cerca de nove anos de intensa e apurada investigação por parte do Ministério Público e Polícia Judiciária em torno daquele megaprocesso que eu de forma injusta, admito-o agora, fui designando como ‘garimpo' de Alfena, tenho que reconhecer que nem sempre aquilo que nos parece óbvio e indesmentível o é de facto.

Óbvio e indesmentível sim, é o facto de essas duas grandes  e impolutas IPSS's (Instituições Particulares de Solidariedade Social) que são o Banco SANTANDER e a NOVIMOVEST terem andado a ser injustamente acusadas por mim de corrupção quando na verdade, mais não têm feito do que colocar o seu dinamismo empresarial ao serviço do bem comum – sem nunca perderem de vista  no caso concreto, a preservação do Património ambiental de Alfena.

 

Também o ilustre cidadão Fernando Melo, que dedicou 20 anos da sua vida ao serviço dos Valonguenses na presidência  da Câmara de Valongo bem como o seu ilustre vereador à altura dos factos, José Luís Pinto, não mereciam as dúvidas que sobre eles lancei.

 

(E a prova de quão injusto tenho sido, sobretudo em relação ao primeiro,  é o facto de ainda há pouco tempo ele ter sido agraciado pelo seu ex-adversário político e actual presidente da autarquia com a medalha de Honra do Município).

 

Depois, também os dinâmicos empresários e distintos homens de negócios da nossa praça, Jaime Resende (familiar de Narciso Miranda), João Rafael Koehler, Carlos Abreu e outros, não mereciam ter passado pelo enxovalho de sequer eu ter insinuado que fossem capazes de congeminar um monstruoso processo de corrupção e enriquecimento ilícito como aquele que eu convictamente supus existir e por isso mesmo denunciei em 2015.

 

E o meu pesar é ainda maior quando reconheço a inconsistência das minhas críticas aquando da discussão e aprovação final do PDM  de Valongo em sede de Executivo e depois na Assembleia Municipal, relativamente à mudança de posição do PS de Valongo e do então e ainda presidente da Câmara - PDM esse que veio, finalmente, validar todo aquele enorme e muito relevante empreendimento.

 

Por último...

 

Num tempo em que uma ‘enorme minoria – ou maioria? - silenciosa’ de cidadãos teima em exprimir o seu profundo descrédito em relação à nossa Justiça, eu contrario esse sentimento e afirmo que o desfecho deste processo - partindo do princípio de que não recorrerei da decisão ontem recebida – me deixa profundamente reconfortado, porque isso só vem confirmar – mais uma vez – que quer os magistrados do MP quer os juízes, estão num processo de profunda mudança – para melhor, evidentemente.

A vergonha que eventualmente alguns de nós pudéssemos já ter sentido por ocasionalmente – muito ocasionalmente aliás – constatarmos a existência em Portugal de uma Justiça para ricos e outra para pobres já não tem qualquer cabimento!

 

Como também já não faz sentido o velho chavão de que somos uma ‘república das bananas’ e que precisávamos era do regresso dos ‘juízes de fora’ (figura introduzida em 1327 pelo Rei D. Afonso IV de Portugal para contrariar a influência do caciquismo na administração da Justiça).

A decisão que ontem me chegou, por correio registado com aviso de recepção bem como o anterior despacho de arquivamento da minha denúncia por parte o DIAP de Valongo, longe de envergonharem quem as produziu, fazem-me isso sim, corar de vergonha por ter contribuído para entupir ainda mais os  nossos Tribunais com uma reles denúncia sem sentido que pôs em causa tantas pessoas de bem!

Temos, portanto, eu e o Dr. Paulo Morais - que foi quem apresentou a primeira denúncia em 2011 - de dar a mão à palmatória e fazer uma clara e inequívoca ‘mea-culpa’!

O País mudou e não foi para pior como muitos insinuam ou afirmam!

 

E por aqui me fico porque acabo de ver da minha janela – juro que é verdade! – passar um porco de bicicleta...

___________________________________________________________

Transcrição da parte final do despacho de recusa:

      (...) Uma instrução que não pode legalmente conduzir à pronúncia do arguido é uma instrução que a lei não pode admitir, até porque seria inútil e não é lícito praticar no processo a(c)tos inúteis, conforme preceitua o artigo 137 do Código de Processo Civil, ex vi o artigo 4 do Código de Processo Penal.

        Assim, nos termos do art. 267º/3, rejeita-se o requerimento de instrução por inadmissibilidade legal.

       Notifique.

       Oportunamente arquive.

       Pelo incidente 2 UC.s a cargo do assistente.

       Porto, ds.

 

publicado às 10:11

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