TODOS INOCENTES - EXCEPTO A... CHUVA!
É um costume bem português este de, sempre que acontece um acidente - na estrada, ou noutro sítio qualquer - atribuir a culpa quase sempre a "elementos" imateriais como a chuva, a neve, o vento, às vezes até, pasme-se! ao "azar"...
O Dr. Arnaldo Soares não podia pois, como "bom português" e lídimo defensor das "saídas expeditas", fugir a esta regra culpando a chuva pela queda da grua sobre o telhado da escola EB1 do Barreiro.
No código de estrada há uma regra que levada a sério e devidamente adaptada, evitaria a maior parte dos acidentes: "adequar a condução às condições do tempo e ao estado da via"...
Mas não! Neste caso não (?)houve negligência do dono da obra (a Câmara) no acompanhamento e fiscalização das condições em que a mesma decorre, não houve excesso de facilidades relativamente ao empreiteiro, permitindo que a movimentação aérea de cargas se tenha feito até aqui, com as crianças - e todo o pessoal da escola - literalmente por baixo, em suma, não houve culpa de pessoas concretas e o único "responsável" que o Dr. Arnaldo Soares como Vereador da Câmara Municipal de Valongo conseguiu "identificar", foi a chuva!
Percebe-se o seu incómodo ao enfrentar os jornalistas que se deslocaram ao local, sobretudo quando toda a gente sabe como é que estas obras das escolas de Valongo têm sido conduzidas pela Câmara...
E também se percebe a demora em retirar as crianças do local do incidente: Não fora a pressão dos pais que ali se deslocaram e o "escrutínio" da comunicação social presente e tudo teria sido disfarçado com a conivência dos responsáveis da escola - que no caso concreto das obras deste edifício, têm sido tão permissivos como a própria Câmara.
Era bom que a nível da estrutura do Ensino - já que em relação à Câmara, como sempre acontece, nada será feito - este incidente não passasse despercebido e se inventariassem exaustivamente as culpas de todos os envolvidos.