"NOVELAS" - A PALAVRA AOS AMIGOS...
Ora bem...
Às vezes, outros escrevem aquilo que, mais vírgula menos vírgula, poderia muito bem ter sido escrito por nós.
Foi o que sucedeu com o texto que se segue, do amigo Ricardo Ribeiro e que tomo a liberdade de reproduzir. Espero que não se importe...
"Mesmo não sendo espectador habitual de novelas, tenho acompanhado com muito interesse esta última novela da TVI. Sei reconhecer que a novela tem, como é costume, demasiados episódios, que a história se arrasta durante meses sem que a narrativa progrida verdadeiramente, que o vilão está envolvido numa quantidade tão grande de falcatruas que tornam o enredo inverosímil. Mas é, apesar de tudo, uma novela bastante peculiar. Será que o Governo esteve envolvido no negócio da compra da TVI? É esta a questão que tem apaixonado os portugueses à hora do jantar. É natural que, tendo em conta as suas audiências, as novelas passem a ser exibidas cada vez mais cedo, e esta costuma ser transmitida no horário mais nobre de todos: o horário do telejornal.
Sobre os protagonistas, é forçoso dizer-se que o primeiro-ministro faz um papelão. Ainda ninguém percebeu se ele estava a mentir quando disse desconhecer o negócio, o que é bem revelador do seu talento para a representação. O seu irmão gémeo, Pedro Silva Pereira, também tem estado muito bem. Não se trata de um enredo clássico de gémeo bom e gémeo mau: estes gémeos são exactamente iguais no temperamento, ambos irascíveis e maquiavélicos. Às vezes, só é possível distingui-los pela cor das gravatas.
Como acontece em todas as novelas, há alturas em que o interesse do público é maior, outras em que é menor. Mas, na última semana de exibição, as audiências dispararam para os valores mais altos de sempre. O problema desta novela da TVI é que é quase impossível prever quando será a última semana, ou até se virá a haver uma última semana. Normalmente, este tipo de novelas dura indefinidamente, até que o aparecimento de uma nova novela faz com que se deixe de falar nelas.
Concentremo-nos então, no presente, altura em que, aparentemente, a história vai conhecer novos desenvolvimentos. A oposição prepara-se para propor uma comissão de inquérito parlamentar. O objectivo é descobrir se o primeiro-ministro mentiu ao Parlamento chamando o primeiro-ministro ao Parlamento. Suponho que haverá comissões de inquérito posteriores, para averiguar se o primeiro-ministro mentiu ao Parlamento sobre ter mentido ao Parlamento. E assim sucessivamente. As comissões de inquérito, constituindo embora um recurso narrativo pouco original, costumam redundar e espectáculos divertidos. Funcionam como uma espécie de comic relief da acção principal. Normalmente, toda a gente está lá a rir. Há dias, pelo que foi dito, andava por uma dessas comissões um palhaço. Prevejo uma subida nas audiências."