ALFENA SURREAL...

Ás vezes chego a colocar-me a mim próprio a dúvida sobre se aquilo que vejo - mesmo sem óculos, que aqueles que uso são mais para "ver ao perto" - é igual ao que os outros vêm...
Vem isto a propósito da sessão verdadeiramente surreal da Assembleia de Freguesia de Alfena, onde propostas verdadeiramente inócuas - mas perfeitamente justificadas - não foram sequer admitidas a discussão, ou então, foram rejeitadas liminarmente logo a seguir, apenas porque partiam da oposição.
Alguns exemplos caricatos do radicalismo dos Deputados desta "versão III" dos Unidos por Alfena:
Primeira Proposta ("Coragem de Mudar") ia no sentido de corrigir uma das muitas lacunas/imprecisões já habituais nos documentos da nossa Autarquia - os professores que integram o grupo dos UPA têm de dar no futuro uma ajuda maior a quem tem a tarefa de redigir os referidos documentos. Digo eu...
Propunham que onde se dizia "apreciação escrita do Sr. Presidente (!)" deveria dizer-se "apreciação da informação escrita do Sr. Presidente..." e ainda, que este ponto aparecesse antes e não depois do ponto seguinte da Ordem do Dia - "Revisão do Orçamento e PPI..." - Chumbada!
Segunda Proposta ("Coragem de Mudar") para "que todos os documentos relevantes destinados ou resultantes das reuniões e sessões dos órgãos da Freguesia ( Convocatórias, Ordens do Dia, Actas, Planos de Actividades, etc.) passem a constar da página da Junta na Internet e que os referidos documentos estejam disponíveis durante mais tempo, o que não acontece com os poucos que actualmente são publicados, em que a publicação de um, anula o anterior do mesmo separador (...)" - Chumbada na Admissão, com uma espécie de "declaração de voto" do Deputado /acólito/jornalista em que procura justificar a recusa do Executivo em avançar com essa publicação, da seguinte forma: "(...) gerir uma página, não é o mesmo que gerir um Blog ou uma página do Facebook. É muito mais complicado e fica muito caro..." - foi mais vírgula menos cedilha, a justificação que deu...
Pois... publicar uns ficheiros em Word, ou mesmo em PDF ou Excel é uma tarefa complicada...
Estou mesmo a imaginá-lo como jornalista a escrever artigos num caderninho de folhas pautadas e depois transcrevê-lo para uma qualquer "!forma publicável" usando uma daquelas máquinas de escrever antigas que eu gostava de ter a enfeitar o meu escritório! Como eu o compreendo! Eu próprio já passei por essas dificuldades, mas felizmente consegui superá-las!
De qualquer modo, não sei se os miúdos do ensino básico partilharão desta sua opinião em relação às dificuldades e aos custos - mas também há que reconhecer que estão na "flor da idade" e têm as mentes mais "ginasticadas", o que torna tudo bem mais fácil...
Terceira Proposta ("Coragem de Mudar") entre várias imprecisões da Acta da Sessão anterior que ia ser votada a seguir, havia a seguinte afirmação do Presidente do Executivo (a propósito de uma pergunta feita por mim sobre os motivos porque não publicava os documentos relevantes na página da Junta: (...) acrescentando em tom jocoso "se calhar é por sua causa". Propunham a seguinte redacção (que corresponde exactamente ao que foi dito e será oportunamente provado): "olhe, não as ponho (no site) precisamente para não lhe dar essa satisfação."- Chumbada...
Pensava eu - e mais uma data de alfenenses - que quem redige uma Acta deve:
1) Referir resumida mas fielmente o que é dito;
2) Abster-se de adjectivar, fazer juízos de valor, tirar conclusões relativamente ao relato das intervenções...
(Mas isto sou eu e mais uma data de alfenenses que pensamos assim!)
Quarta Proposta (que alguém deveria ter feito mais se esqueceu de fazer): Que o Ponto referente ao Orçamento e PPI, fosse retirado da Ordem do Dia e fosse convocada nova Assembleia para o discutir. Porquê?
Porque não constam dos documentos entregues, quaisquer razões válidas para várias das Rubricas relativas a despesas (não afirmo que não existam razões, mas a verdade é que não foram avançadas) nem tampouco é apresentado um documento essencial para uma discussão deste tipo - o mapa de Execução Orçamental!
Curioso ainda, foi não ter existido nenhum pedido de intervenção em relação a este ponto e mais ainda, o facto de o Presidente do Executivo não se ter sentido "obrigado" pela sua própria consciência cívica a dar uma explicação resumida sobre as razões do Orçamento Rectificativo - onde aparecem verbas novas, como por exemplo, o Museu, compra de equipamento acústico, rendas da Casa Sénior, etc.
Claro que no meio de todo este ambiente surreal, ainda houve lugar para um episódio verdadeiramente anedótico por parte do Deputado/secretário da Mesa, que se zangou e ergueu a voz contra o tal epíteto ("em tom jocoso") referido na Acta (na versão original que acabou por ser a aprovada) : Eu não lhe admito este tipo de insinuações porque as considero ofensivas - e disse-o virado para mim, convencido que a alteração proposta pelo Deputado Avelino de Sousa tinha "a minha mãozinha"...
Afinal, a autora do "epíteto" estava do outro lado da mesa!
Pelo menos ficou demonstrado que os epítetos não devem ser utilizados por quem redige as Actas - a não ser que tenham sido proferidos nas intervenções... Mas se mal pergunto, então porque é que chumbaram a Proposta de Alteração onde esse "epíteto" era retirado?
No fim só faltou mesmo, foi o nosso Dputado/acólito/"jornalista" juntar as mãos beatificamente e dizer, Habemus Orçamentum/PPI!