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A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

LEÇA - O MEU "RIO IMAGINÁRIO"...

O "amigo imaginário", histórias infantis de dupla personalidade em que o "eu verdadeiro" conversa com o "eu inventado", enfim, o tipo de comportamento do miúdo (ou miúda) de uma qualquer aldeia do interior, onde o convívio com outros miúdos, as correrias, as brincadeiras próprias dessa idade não são possíveis pela razão simples de que não existem outros miúdos, e as brincadeiras e as correrias não fazem sentido algum a solo...

Hoje, caminhando um pouco ao longo deste quase fio de água que corre entre margens assoreadas, poluído pelo desleixo de muitos e pior do que isso, pela actividade criminosa e "clandestina" de umas quantas "indústrias" que por aqui assentaram arraiais, tirando partido da postura permissiva de quem foi eleito para cuidar dos interesses legítimos dos seus concidadãos e não para facilitar os outros, os ilegítimos, de um punhado de "investidores" sem escrúpulos, que provocam mais danos com a sua actividade, do que os benefícios que resultam da mesma - se é que alguns benefícios ela traz aos alfenenses.

Nesse breve passeio, não senti o cheiro a flores silvestres, não relaxei com o marulhar das águas, não se me alegrou como em tempos idos o olhar, com a actividade frenética de dezenas de espécies diferentes de aves que escolhiam a vegetação característica destas margens para nidificar e que hoje em dia preferem outras paragens mais apelativas...

Por isso, tal como o miúdo da aldeia do interior que para não perder a "capacidade de conversar" travava longos diálogos com o tal "amigo", também eu tive de usar a imaginação para não desistir logo à primeira do passeio e fingir que acreditava que este fio de água que corre entre margens assoreadas e quase morto pela poluição doméstica e industrial a que em tempos, uns quantos autarcas de "promessa fácil" nos garantiram que iriam pôr cobro, era o meu Rio Leça - sim porque é dele que tenho estado a falar. Hoje ele foi, durante cerca de uma hora o meu "Rio imaginário" de águas límpidas, de margens guarnecidas de vegetação amigável - e não de infestantes - habitat escolhido por dezenas de "solistas" que por esta altura do ano costumavam dar corpo à "caco sinfonia" de trinados, chilreios, cacarejos, coaxos, grasnidos e outras sonoridades similares, com que costumavam animar os primeiros alvores matinais do nosso despertar.

Imaginei durante cerca de dois quilómetros, que caminhava ao lado do meu Leça, mas para o fazer sem incómodo de maior, devo confessar que recorri a uma pequena artimanha muito usada pelos homens do campo sempre que tinham de manusear detritos biológicos de odor mais agressivo: levei comigo um pequeno ramo de erva cidreira para afagar o nariz quando o meu Rio me cheirava pior.

(Desculpa querido Rio da minha infância, não leves a mal, mas às vezes fica difícil aguentar o teu "mau hálito", embora eu saiba que a culpa não é tua!)

publicado às 14:34

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