VALONGO E A "TANGA" DE FERNANDO MELO
O discurso da "tanga" foi durante algum tempo como todos sabemos, o recurso in extremis dos políticos ineptos e incompetentes.
Mas de tanto que recorreram a ele para justificar as próprias incapacidades, foi "chão que deu uvas" tendo caído claramente em desuso.
Pelo que hoje se viu na reunião pública de Câmara, parece que o Dr. Fernando Melo ainda não fez o necessário upgrade e continua a utilizá-lo como "meio de trabalho" para tentar justificar o injustificável e explicar o inexplicável:
Para ele, a situação de rotura da Câmara não tem nada ver, ou tem pouco a ver com erros próprios e resulta sobretudo - segundo ele obviamente - da enorme dívida que a Câmara herdou há 17 anos atrás (quando ele se sentou pela primeira vez no cadeirão almofadado da Domus Municipalis)...
Como disse o Dr. Pedro Panzina da Coragem de Mudar, só falta o Dr. Fernando Melo tentar convencer-nos de que a culpa foi dos Romanos que nos levaram o ouro da Serra de Santa Justa...
A verdade, é que os argumentos para explicar a gravíssima situação das finanças Municipais não abundam pelo lado do Executivo Municipal - tanta incompetência, tanto esbanjamento e tanto desperdício não podiam passar despercebidos a ninguém - nem passaram aos valonguenses! Escamoteá-los nesta altura de aperto seria tarefa impossível, pelo que recorrer à "tanga" legada por antecessores longínquos virou de novo "cortina de fumo" para camuflar os estragos.
Mesmo assim, o Executivo da Câmara está - contra o que é o seu hábito - a "fazer das tripas coração" para tentar assumir uma postura de humildade e diálogo com a oposição que lhe permita salvar um Plano de saneamento financeiro que evite, ou pelo menos, adie até ao fim do mandato o afogamento eminente. Só que de tanto que nos habituaram à "farpela" aperaltada e arrogante do "quero posso e mando" com que os temos visto nos últimos anos a esta parte, vê-los agora vestidos neste estilo casual de homens comuns resulta um pouco forçado...
De qualquer forma, se em última instância a oposição concluir que é melhor para a população do Concelho que o tal Plano de saneamento financeiro da Câmara seja viabilizado, ao menos que vincule este Executivo de forma clara e incontornável, relativamente a todas as alterações que têm de ser feitas - e são mesmo muitas - corrigindo comportamentos, cortando vícios, eliminando mordomias, reduzindo o número de "afilhados" do Dr. Fernando Melo ao serviço da Autarquia...
E pode começar desde já por perguntar ao Dr. Fernando Melo com que dinheiro é que procedeu à compra de 4 carros eléctricos, como refere o JN de hoje - ver recorte.
O argumento é interessante, mas remete-nos inevitavelmente para aquelas compras induzidas pela publicidade agressiva desta sociedade consumista em que vivemos, género "compre um aspirador xpto e oferecemos-lhe outro de graça". Primeiro, há que verificar se precisamos de dois aspiradores xpto - ou mesmo de um só - e depois, mesmo que necessitemos deles ou dele, se temos dinheiro para a compra, por mais vantajosa para o ambiente que ela seja ou nos digam que é!
Mas ainda a propósito do tal Plano de que iremos ainda ouvir falar bastante nos próximos tempos, mesmo que como dissemos, se considere incontornável a sua viabilização, já não bastam as habituais garantias que este Executivo sempre "dá" nestas circunstâncias. A única forma de garantirmos que as medidas que venham a ser acordadas sejam efectivamente aplicadas, é criar uma "comissão de acompanhamento" que controle a sua efectiva implementação.
Para não acontecer o mesmo que sucedeu com o chamado "fundo de emergência" aprovado aquando da alteração de taxas - portanto já há longos meses - por proposta do PS (estima-se que ronde os 500 mil Euros) e sobre o qual nada se sabe neste momento!
A Drª. Trindade prometeu para breve alguns "detalhes" sobre a forma como o dinheiro tem vindo a ser gasto, isto é, o "fundo" (ainda) não foi regulamentado, mas já "funciona" - pelos vistos...
