NATAL - QUE SEJA A REGRA E NÃO A EXCEPÇÃO...
Não gosto do Natal!
Daquele que vejo nas montras das lojas, nos escaparates e prateleiras dos míni, super e hipermercados.
Tampouco gosto do que nos entra casa adentro através dos plasmas, dos LCD’s ou dos CRT’s que já vão rareando.
E também não gosto do “natal” que nos mostram nas galas das TV´s, do “natal” dos hospitais, das Câmaras Municipais, das Juntas de Freguesia...
Não gosto ainda do “natal” que em tantos sítios deste País de desigualdades se costuma proporcionar aos sem abrigo – sobretudo aos das grandes cidades – com algumas figuras mediáticas a misturarem-se estrategicamente com os mais desfavorecidos, que é sempre “bonito” e socialmente compensador aparecerem nas reportagens das televisões, nas fotografias dos jornais e revistas que por estas alturas costumam dar muita atenção aos mais carenciados e à forma como são mimados pela sociedade e pelos vários poderes.
Não gosto portanto e definitivamente do Natal – deste “natal” - por todas as razões indicadas e também, ou sobretudo, porque é limitado no tempo – demasiadamente limitado, que um dia é bem pouco para aquecer a alma e o estômago de quem enfrenta todas as carências durante o resto do ano.
Porém, há um Natal de que gosto sobremaneira...
Aquele que vejo no brilho dos olhos das crianças mais desfavorecidas - um brilho ainda não ofuscado pelo desejo irrealizável do último modelo de consola de jogos, do telemóvel topo de gama, ou do brinquedo da “nova geração”, um brilho que tem a mesma intensidade perante o mais simples e modesto boneco de peluche ou o último grito dos brinquedos “tecnológicos”, um brilho que não sofre “nuances” perante uma peça de roupa ou uns ténis de “marca” ou os mesmos objectos comparados na “loja do chinês” ou na feira semanal.
E gosto ainda mais deste Natal, se o podermos repartir pelo ano inteiro.
Alguém disse que “Natal é quando o homem quiser” e que bom que seria se o quiséssemos em todos os dias do ano...