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A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

UMA MÃO CHEIA DE NADA E OUTRA DE COISA NENHUMA......

Captura de ecrã 2021-06-14, às 11.16.35.png

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO JOVEM”, “SEMANA DA PRESTAÇÃO DE CONTAS”, “REDE INTERNACIONAL DAS CIDADES DAS CRIANÇAS” (do livro do professor italiano Francesco Tonucci «La Città dei Bambini») ...

Expressões com que nos temos cruzado nos últimos tempos aqui por Valongo - as duas primeiras pelo menos – podem querer dizer muito ou não significarem nada de concreto.

Esse é o problema de muitas das ‘expressões/bandeira’ que, pretendendo corresponder a acções ou propósitos concretos, na verdade e na maioria das vezes, são apenas e só, frases vazias de conteúdo - por aqui pelo menos, é isso que acontece...

 

Ou seja...

 

Ninguém no seu perfeito juízo se põe no meio de uma rua ou de uma qualquer praça a agitar uma bandeira para ninguém e se isso acontecer, há que desconfiar se a tanta agitação não corresponder um nível de  aplausos correspondente a essa acção ou não contribuir para juntar cada vez mais pessoas à sua volta...

(Bem, talvez tenha de abrir aqui este parêntesis para recordar aquele episódio caricato de um deputado, líder de um grupo municipal, que em plena sessão da Assembleia Municipal de Valongo esteve cerca de 10 minutos a falar para uma cadeira vazia – a cadeira do então presidente da Câmara, Fernando Melo que nesse dia tinha faltado à sessão.

O protagonista concreto do edificante monólogo existe mesmo e preside actualmente à condução dos destinos do nosso Concelho).

 

Portanto...

 

  1. ORÇAMENTO PARTICIPATIVO JOVEM’:

 

É muito lindo! mas... porque não e antes de tudo, um Orçamento participativo do Povo todo?

“Ah!... é a democracia representativa e blá-blá-blá” - uma abstracção que basicamente significa “chutem para cá o vosso voto e vão à vossa vidinha nos próximos 4 anos que agora decidimos nós!

E isto vale igualmente, tanto para o poder local como para o nacional.

 

  1. SEMANA DA PRESTAÇÃO DE CONTAS’:

 

Até poderia ser menos criticável se se tratasse apenas de uma redundância inútil organizada em ciclos anuais E se a obrigação de manter os munícipes permanentemente informados sobre a forma como se gasta o seu dinheiro fosse cumprida em permanência. Começando logo pelo momento em que estes ao longo do ano civil vão colocando dúvidas, fazendo perguntas, ou criticando algumas das opções de que vão tomando conhecimento indirecto, mas nunca podem questionar os eleitos em tempo útil!

Exagerando, é como cá em casa um dos três decisores resolvesse recorrer ao crédito bancário para comprar um Ferrari com uma enorme ‘Trilobite’ estampada na fuselagem e depois, à mesa com os outros dois, de repente e a meio caminho entre uma garfada e um gole de vinho, soltasse a ‘bomba’:  “olhem, comprei um ‘popó’ baril que nos vai ser entregue na próxima semana. Vamos ficar a pagar uma prestaçãozita de dois mil euros mensais durante 10 anos, mas não há crise. Foi uma boa compra, não foi?”...

 

  1. REDE DE CIDADES DAS CRIANÇAS’:

 

Uma Cidade idealizada pelas crianças... tanta ternura neste livro e, aparentemente, também neste aproveitamento feito pela nossa Câmara!

Mas será que, vista á lupa e olhando para a dura realidade das nossas crianças concretas e definidas, encontraremos alguns pontos de contacto com a realidade em que grande maioria delas vive com os seus pais? Uma cidade (Concelho) onde os transportes escolares são o que são porque são organizados por adultos que se esquecem delas, onde muitas das habitações ainda estão longe do aceitável quanto mais do ideal no que toca aos parâmetros de conforto e de dignidade exigíveis  num País civilizado...

Mas tudo bem, se vamos agora dar voz às nossas crianças no que toca à construção da sua/nossa cidade, então, pergunta incómoda seguramente, porque não temos dado e continuamos a não dar essa possibilidade aos adultos que são os seus pais?

 

Concluindo – e sobre as ditas frases/bandeira:

 

Se um dia destes encontrarem, na Praça Machado dos Santos, no Largo dos Patos, ou no salão nobre do condomínio da Avenida 5 de Outubro, algum solitário com ar de lunático a agitar uma bandeira ou a falar para uma cadeira vazia, o mais certo é tratar-se de alguém que se tenha escapado de uma qualquer ala psiquiátrica de qualquer hospital próximo e, por favor, não lhe atribuam o poder de decidir sobre os vossos destinos!...

publicado às 11:01

VALONGO DOS CIDADÃOS (*) - CONSTRUIR O FUTURO...

Captura de ecrã 2021-05-19, às 10.39.54.png

(*)

É uma frase aparentemente inócua – toda a gente de uma forma ou outra, com mais ou menos empenho e mais ou menos criatividade, se empenha nessa construção – mas a força com que todos se envolvem nessa construção tem muitas razões subjacentes que a podem condicionar - porque construir é uma abstracção que, no limite, pode apenas significar ‘evoluir’ no status quo.

É inquestionável – e toda a gente perceberá a analogia – que o futuro dos valonguenses tem sido construído mais ou menos na base de “mandar pôr meias solas numas botas velhas” – e que, previsivelmente, acabarão mais cedo do que o acrescento.

O Projecto ‘Valongo dos Cidadãos’, tal como a génese do próprio nome permite perceber, encarna uma ideia de futuro que se distancia não apenas do passado mais ou menos próximo, mas sobretudo do presente demasiado próximo desse passado do qual nunca se distanciou suficientemente.

Por aqui, no terreno que Valongo dos Cidadãos percorre com muita confiança e cada vez mais apoios, não acreditamos em iluminados, intelectuais do poder local, fazedores solitários, decisores únicos, governantes inquestionáveis, autores e executores de um dado projecto cuja utilidade ninguém foi chamado a comentar e menos ainda a validar, porque os ‘grandes líderes’ foram sempre pessoas muito ‘sabedoras’ - ou omniscientes que é quase a mesma coisa - e quando assim é (claro que não é!) os servos só têm que aceitar e agradecer as decisões que os intelectuais do sistema, neste caso o poder local, têm achado por bem tomar em nome deles.

Da forma como entendemos que deve ser o exercício concreto do Poder Local, construir o futuro, dito de uma forma simplista e mais entendível, pode ser comparado à tarefa do escultor ou, na arte sacra, do santeiro que pegam num fragmento de rocha, num volume metálico, na raiz ou no tronco de uma árvore e com base em ‘projetos’ mentais e raramente em linhas desenhadas no papel, dão corpo à sua visão criativa.

Mas, independentemente da beleza plástica imediata das obras executadas ou da sua valia prática à luz das necessidades ou preferências do homem médio actual, tudo pode ser condicionado pela durabilidade intrínseca das mesmas, pela sua resistência à erosão dos tempos, ou pelas expectativas de utilidade no futuro que se perspectiva de uma determinada maneira.

A oxidação de uma estátua construída em bronze é geralmente considerada uma mais-valia – às vezes até é acelerada de forma artificial - mas já não é assim em peças idênticas construídas em ferro e muito menos se essas peças visam uma utilidade prática no nosso dia a dia.

A beleza estética ou a sua utilidade inicial  até podem ser idênticas ou muito parecidas, mas o seu horizonte futuro será sempre muito diferente e muito mais limitado –  muito mais próximo do acto criativo que lhes deu vida.

O projecto do grande colectivo  ‘Valongo dos Cidadãos’ foi apenas a semente que lançamos à terra fértil, mas que integramos e dinamizamos apenas numa perspectiva de partilha de ideias com o cidadão anónimo ou concreto – porque os valonguenses são gente ‘que sabe do que fala’ e está cada vez mais cansada de ser dirigida e condicionada por figuras providenciais e omniscientes – ou que assim mesmas se consideram, na sua imensa e onanista prosápia...

Para este já imenso colectivo, construir o futuro nunca será uma obra acabada porque o significado do termo ‘futuro’ muda em cada dia, em cada hora, em cada minuto, como em cada dia, hora ou minutos teremos novas adesões, novos apoios.

Para nós, o que verdadeiramente importa é que as ligações temporais relevantes do mesmo com o presente e com o quase passado do minuto anterior não se mantenham ou se quebrem ‘só porque sim’, mas sempre por razões de interesse público - das pessoas concretas e definidas e que assim sejam entendidas por elas.

Como escreveu o grande Poeta de todos nós cuja memória celebraremos daqui a dois dias com a habitual pompa e circunstância,

(...) Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades (...).

Por nós, tudo faremos para que as mágoas não façam parte da memória futura da nossa passagem pelo exercício cívico do Poder Local em Valongo. E também nenhum de nós faz questão de deixar nenhuma marca pessoal da sua passagem pela ‘cadeira do poder’ – nenhum edifício, nenhum arranjo paisagístico, nenhuma estrutura metálica a embelezar um qualquer largo ou praça – porque as marcas, connosco, serão sempre gizadas de forma colectiva, consensual de preferência, e o poder será sempre – e a marca também – do povo que em cada momento tenha sido chamado a decidir.

 

publicado às 10:44

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