REFLECTIR SOBRE O QUÊ MESMO?
Vinha há pouco a conduzir quando "apanhei" de passagem a notícia de que o nosso PR se vai dirigir logo ao País através das televisões, para fazer um apelo ao voto...
Ora bem:
Em primeiro lugar, é um direito que lhe assiste e direitos não se discutem! Depois, acho - tenho a certeza - que Sua Excelência não vai fazer apelo a nenhum voto específico e portanto, ouçamo-lo, corrijo, ouçam-no, que sem sem qualquer desconsideração, eu não vou cansar o meu sofá para ouvir pela enésima vez um Presidente da república fazer este tipo de apelos.
Sobretudo no contexto que vivemos, já toda a gente fez a sua opção - uns, a do costume que é ficarem em casa e depois virem dizer no dia seguinte que está tudo mal, outros, andarem permanentemente a dizer que está tudo mal, que os políticos são isto e mais aquilo para depois - quais cachorrinhos fiéis a quem o dono pode maltratar constantemente, que mesmo assim abanam sempre a cauda de alegria e lhe lambem as mãos quando este chega a casa - colocarem a cruzinha no sítio do costume.
Eu vou de facto exercer o meu dever cívico de votar. Não preciso que Sua Excelência mo peça, mas acho que o sistema está inquinado desde o início:
Todos os votos entrados nas urnas (excepto os nulos) deveriam ter consequências, isto é, deveriam servir para eleger ou não eleger Deputados.
Explicando melhor: À distribuição dos lugares no Parlamento, conforme se fossem apurando os resultados de cada círculo - o Partido "A" elegeu 3 Deputados, o Partido "B", 2 e por aí adiante - deveria ser acrescentada uma outra consequência: Os votos em branco "elegerem" lugares vazios.
Enquanto essa consequência não for retirada em relação ao número de votos em branco, não há voto de castigo que funcione.
Por outro lado, o enquadramento das imagens que as televisões recolhem nas sessões mais importantes do Parlamento, ficaria bem mais original:
Nos lugares dos Deputados não eleitos, colocariam aquelas figurinhas sem rosto recortadas em cartão, que teriam ainda por cima a enorme vantagem de não proferir desaforos nem fazer gestos obscenos com os dedos ou coisas assim. Ah! E pouparíamos também no número de computadores - que um boneco não precisa deles para nada.
E pronto, fica aqui o meu desabafo com o qual espero não ter violado nenhum preceito legal nesta minha reflexão sob a forma escrita - que a Lei não é específica relativamente à forma como neste dia deveremos reflectir.