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A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

TROCO EUROS POR... "CONTOS DE REIS"!

Ouvi nas rádios, vi nas televisões, li nos jornais, escutei nas conversas do Povo anónimo que – tal como a Grécia – Portugal corre o risco sério de perder o respeito do mundo, devido à incapacidade para que caminha a passos largos – a Paços para ser mais preciso – para se tornar incapaz de honrar os compromissos para com os seu credores, vendo-se obrigado a reescalonar a sua dívida externa.

Claro que se tal viesse a acontecer, uma das prováveis consequências imediatas seria a saída do Euro.

Talvez por isso eu tenha deixado de me culpar sistematicamente, sempre que olho para aquele monte de moedas de vários valores  - e algumas notas também, que tenho guardadas naquela caixinha sobre a minha secretária –  e cuja troca fui adiando, adiando, até deixar esgotar definitivamente os prazos para o fazer. Pelo menos tenho a garantia de que no momento da insolvência, não ficarei inteiramente “descalço”, partido do princípio de que os Bancos nessa altura “não vão chegar para as encomendas”.

É óbvio que esta eventualidade não interessa a ninguém e o que se espera é que não venha a ocorrer.

Apesar do nível de corrupção que todos constatamos, apesar se ter tornado evidente desde há muito tempo, que vivíamos acima das nossas reais possibilidades, contraindo dívidas para amortizar dívidas contraídas, essas mesmas para adquirir produtos supérfluos, luxos exagerados, serviços desnecessários, mordomias a que julgávamos ter o mesmo direito do vizinho “milionário” que mais tarde viemos a verificar que era mais indigente que os sem abrigo com quem nos cruzávamos nas ruas das grandes cidades, apesar de tudo isso, a Grécia ainda nos consegue surpreender – pela negativa, obviamente – o que equivale a dizer que ainda nos resta uma réstia de esperança de conseguirmos inverter o mergulho, antes de batermos completamente no fundo.

Bem sei que isso vai implicar que por alturas do Natal, aqueles que ainda têm ordenados ou pensões acima do salário mínimo, tenham que abdicar de uma fatia significativa dos mesmos.

Bem sei que o essencial dos sacrifícios vai continuar a ser exigido apenas aos do costume.

Bem sei que apesar da crise que desta vez não é virtual, algumas fortunas continuarão a crescer e os lucros de muitas empresas – incluindo algumas prestadoras de serviços públicos essenciais – continuarão a engordar ano após ano.

Bem sei que alguns empresários “patriotas” e ao mesmo tempo detentores de fortunas quase “pornográficas”, vão continuar a optar por “pátrias” offshore” para as gerir. Eventualmente e uma vez por outra, anunciarão ao País e ao mundo alguma acção mais relevante na área do mecenato e nessa altura todos lhes tecerão louvores, lhes prestarão homenagem – quiçá lhes atribuirão num qualquer 10 de Junho e pela interposta decisão do supremo magistrado da Nação, uma qualquer medalha de homenagem pelos relevantes serviços prestados...

Bem sei que vamos ter de continuar a conviver com o velho ditado popular que diz que “bem prega frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz”, porque não vai ser ainda desta que vamos ver o número de deputados e respectivas mordomias serem reduzidos, nem assistiremos seguramente à troca das viaturas oficiais topo de gama por outras mais compatíveis com a crise.

Bem sei que os deputados da Nação vão seguramente puder continuar a justificar as ausências (apenas)com a sua palavra e que vão continuar a ter direito a um conjunto de regalias. Incluindo o direito a um subsídio de residência sempre que não morem na área da grande Lisboa, mesmo que se saiba e se comente à boca pequena que alguns ali têm uma segunda residência.

Bem sei que muitos deles – aqueles que eventualmente vão abandonando a "desgastante" carreira de Deputados, vão continuar a poder usufruir de um significativo subsídio de reintegração para regressarem à “vida civil”.

E ainda sei muitas coisas mais que, apesar da crise, não vão seguramente mudar.

Há no entanto alguns ténues sinais mudança que nos fazem alimentar ainda alguma esperança. E não me venham – a mim que me orgulho de ser de esquerda, embora de uma esquerda sem etiqueta específica – com o chavão de que agora temos um governo de direita!

Para além da enorme erosão que este tipo de conceitos tem vindo a sofrer nos últimos anos, o exemplo mais flagrante de que não é com base nestes chavões que os portugueses vão avaliar a governação do País, está no facto de Sócrates – um homem de “esquerda”, pertencente a um Partido parcialmente de esquerda, ter escolhido desde o princípio, o tipo de “condução à inglesa”.

Como seria de esperar, mais tarde ou mais cedo, teria de colidir com algo ou alguém! Colidiu com a crise – que pelos vistos, ocupava as duas faixas de rodagem...

publicado às 15:28

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