OS VIOLADORES DE... DIREITOS
É uma coisa que não se consegue explicar - cheguei até a pensar que seria um qualquer problema de índole pessoal - mas são várias as referências que me chegam no mesmo sentido e que, pelo menos a este nível, me deixam um pouco menos preocupado:
Só de ouvirmos pronunciar o acrónimo FMI, sentimos uma espécie de calafrio e uma forte sensação de desconforto.
Há até quem confesse - numa espécie de adaptação à velha frase do "homem do saco" - já ter pronunciado as três sinistras letrinhas para obrigar os filhos a comer a sopa!
Por isso é que o passo que hoje foi dado é importante no sentido de retirar alguma carga negativa - à sigla obviamente, que quanto à Organização propriamente dita, pouco mudará:
A nomeação para o cargo de director-geral, de uma dama, a francesa Christine Lagarde, o que desde logo induz na mente do cidadão comum alguma descompressão.
E isto, apesar de um certo ar de "dama de ferro" que caracteriza a senhora.
Mesmo assim, estou convencido que nas muitas deslocações que será obrigada a fazer, nas múltiplas reuniões - por vezes à porta fechada - em que seguramente se verá envolvida, nas inúmeras suites presidenciais dos vários hotéis de cinco estrelas onde por via das mesmas se verá obrigada a pernoitar, o efeito que provocará naqueles com quem terá de contactar, será seguramente menos assustador do que o que era suscitado pelo seu antecessor compatriota, Dominique Strauss-Kahn - um homem com fama de muito duro e ao que parece, fazendo verdadeiro jus ao termo no seu sentido literal.
A princípio, pensava-se que certos comportamentos condenáveis dos quis tem vindo a ser acusado e que levaram à sua suspensão de funções e agora, à sua substituição definitiva, viria na mesma linha de certos senhores feudais em relação aos seus escravos ou serviçais menores, sobre os quais entendiam ter o direito de propriedade plena.
Mas parece que afinal a "dureza" do homem não se ficava por aí e se estendia a outros estratos sociais, de que o último exemplo conhecido, é uma jornalista e também compatriota.
Ainda bem que nas negociações com Portugal com o objectivo de definir o número de furos que vamos ter de fazer nos respectivos cintos - furos no sentido do aperto, obviamente - esteve sempre envolvida uma "troika" - aliás o homem já não estava em funções - caso contrário, não sabemos o que poderia ter acontecido a uma qualquer compatriota nossa que com ele tivesse de privar mais de perto...
Tenho no entanto uma teoria:
A tendência sistemática do FMI para a prática das mais variadas "sevícias" sobre os seres humanos dos vários países onde intervém, não é uma aberração exclusivamente atribuível aos seus directores-gerais e também não tem de existir sempre "contacto físico" - ou tentativa do mesmo - para que nos sintamos "violados".
Por isso e apesar das naturais limitações da senhora em relação ao seu antecessor, vamos continuar a ouvir falar de "violações" por parte do FMI!