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A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

AS FÉRIAS DO NOSSO DESCONTENTAMENTO… (*)

Ainda agora começaram e já não temos a certeza de estarmos a gostar.

Como em tudo na vida, há sempre o verso e o reverso, o positivo e o negativo, o doce e o amargo e talvez o cerne da questão resida unicamente em conseguirmos estabelecer ao longo dos dois meses que vamos ter pela frente, um ponto de equilíbrio entre os dois pratos da balança…
É claro que estamos a adorar, podermos acordar a desoras com a manhã já alta (como uma espécie de contrapartida às incursões, feitas noite dentro) -A ida ao cinema para ver aquele filme tantas vezes adiado, a navegação descomprometida na Net, porque não direccionada no sentido da preparação das aulas do dia seguinte, o bate-papo no Messenger sem ter que olhar para o relógio de cinco em cinco minutos, aquelas 20 páginas do nosso livro favorito do momento, que conseguimos ler, sem bocejar umas mil vezes antes de cair para o lado…)
E também está a ser óptimo podermos tomar aqueles pequenos-almoços à moda antiga, com torradas, manteiga e café com leite, com direito a sentarmo-nos durante o “acto” e de seguida aquele duche ou banho de imersão sem os minutos contados – como alternativa aos duches ultra rápidos com uma torrada devorada pela metade antes e a outra metade depois, ao mesmo tempo que fazemos uma secagem relâmpago dos cabelos, com a atenção repartida entre esta tarefa e a procura do sapato que tem que fazer par com único vislumbrado até ao momento…
E também é bom termos mais tempo para nós: Dá para acreditar, que passou quase um ano, em que quase não nos vimos ao espelho com o pormenor e a atenção que – apesar de tudo – ainda merecemos? A depilação pré-biquíni, aquele pelito inconveniente que tem passado despercebido mas que urge remover, a rugazita atrevida (“será mesmo ruga?”) que iremos tentar disfarçar, aquela acne juvenil que eles dizem ser encantadora, mas de que não gostamos nada e a que urge pôr termo com aquele creme que nos recomendaram na farmácia, a esporádica auto-carícia (sim, que nem só de terceiros devemos depender e a auto gratificação tanto pode ser um complemento, como uma alternativa para as soluções ditas “clássicas”) tem nestas alturas de lazer, um sabor diferente porque menos condicionado pelo tempo e pelo stress…
Mas depois, vem aquela parte do dia, em que nos deixamos tomar pela nostalgia, pela saudade do bulício, das correrias entre as aulas, dos gritos e das risadas dos colegas, daquele piropo brejeiro, daquele beliscão ou daquela palmada a que tivemos de reagir fingindo uma zanga que não era de todo genuína, daquele beijo que quase virou “situação de risco”, já em véspera de início de férias (“será que vai ter continuidade?”)

É precisamente nestas alturas, em que nos sentimos mais carentes e vulneráveis, que vem aquela frase, impensável em período de aulas: “Detesto as férias!


(*) Férias escolares obviamente: Um “problema” socialmente relevante, numa abordagem feita no feminino…  

publicado às 15:39

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