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A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

DIA MUNDIAL DA ERRADICAÇÃO DA POBREZA

Sei que é apenas mais um dia - perdido entre os 365 que o ano tem - em que nos lembramos de uma qualquer causa em especial.

Hoje é o da erradicação da pobreza, que só existe, porque uma parte significativa deste mundo selvagem  em que vivemos (há quem lhe chame sociedade desenvolvida, mundo civilizado e outras abstracções sem qualquer correspondência com os comportamentos concretos) não sabe produzir de forma racional e sobretudo, não sabe repartir aquilo que produz.

Tudo funciona na base do lucro fácil e aquilo que sobra, num processo de produção intensivo e muitas vezes insensível a questões de natureza ambiental, sanitária até, tem de ser destruído para não contribuir para a queda dos preços e consequente diminuição das margens de lucro.

Hoje não existem hortas, existem fábricas de hortaliça. O peixe não é pescado por barcos é varrido ou sugado por gigantescas fábricas flutuantes que depois o processam de forma intensiva e o transformam em sucedâneos a que nós continuamos a atribuir a designação inicial.

Idênticos processos - com as devidas adaptações - se aplicam ao "fabrico intensivo" da carne, da fruta, do "leite" com sabores, com vitaminas - e com "E" quantos bastem...

O pão, base da alimentação dos povos há uns anos atrás, esse é hoje em dia o resultado de um processo industrial complicado que se inicia com o cultivo e o processamento de umas plantas a que se continua por hábito a chamar de "milho", "trigo", "centeio" "cevada"... de onde se extraem depois os respectivos grãos, algo entre o transgénico e o natural aditivado, tratados quimicamente, adicionados de compostos com muitos "E", mantidos em gigantescos silos (antigamente celeiros) de onde saem em silos mais pequenos transportados por camiões gigantes para instalações dotadas de gigantescas trituradoras (antigamente moinhos) e vendidos nas padarias em sacos gigantes irrepreensivelmente embalados, para serem finalmente processados em máquinas esquisitas que substituem as mãos do homem. Enquanto isso, este vai enchendo o depósito de fuel ou outro combustível equivalente que fará funcionar os bicos semelhantes a canhões de guerra que vão fazer jorrar as chamas que irão aquecer a caverna gigante, simétrica ordenada onde os "pães" devidamente pesados - que a ASAE (no caso português) anda agora mais atenta - em filas ordenadas dispostos em múltiplos tabuleiros sobrepostos.

E enquanto o "maquinista" (antigamente padeiro) vai preparando nova "recarga", vai controlando a contagem decrescente de alguns dígitos a brilhar no painel de controlo da máquina, pronto a actuar ao som do "bip", quando tudo forem zeros no referido visor a fim de descarregar o "produto acabado" (leia-se pão) que há-de alimentar (apenas) quem o puder pagar.

Este á o processo que alimenta o mundo dito civilizado e as camas dos hospitais, porque a natureza nem sempre se compadece com transformações demasiado agressivas no nosso tipo de alimentação.

Claro que esta forma intensiva de produzir aquilo que comemos, deixa ainda menos desculpa para que tanta gente no mundo se veja excluída dos resultados da mesma.

E a razão é simples: O processo é intensivo, mas também é "inteligente", porque só produz de acordo com as necessidades daqueles que podem pagar - vá lá, esporadicamente deixa escapar uns excedentes que magnanimamente vai encaminhando para a FAO ou para algumas ONG's, mas de forma milimetricamente controlada para não pôr em causa os níveis dos preços nos mercados.

Por isso é que eu sou, por princípio, contra os "dias de qualquer coisa", sobretudo contra este, que por todas as razões, não deveria constituir (apenas) um minúsculo ponto no nosso calendário anual.

publicado às 10:27

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