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A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

CARTA ABERTA AO PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL...

 

Não prezado Senhor primeiro ministro de Portugal,

 

Ando já há uns tempos para lhe escrever esta carta, que obviamente sei que não vai ler. Para isso é que servem as dezenas de assessores dos assessores que se tem dado ao trabalho de contratar: exactamente para o assessorar – ou filtrar os conteúdos mais incómodos que lhe vão chegando ao gabinete todos os dias e que, imagino eu, não serão poucos.

Daí eu ter pensado melhor antes de enfiar a folhinha A4 (frente e verso para poupar no papel) num impessoal sobrescrito com o seu endereço, dando em vez disso, prévio conhecimento público do seu conteúdo – há quem chame a esta pequena artimanha ‘carta aberta’. Seja...


Mas vamos ao que verdadeiramente importa, caso contrário, não teremos carta nenhuma – nem aberta nem fechada.


Em primeiro lugar, não prezado Dr. Passos Coelho, quero dizer-lhe que Vossa Excelência pode ser um ‘farsola’farsola: s.m. e s.f. Galhofeiro, farsista. Fanfarrão, jactancioso (…)” .

Pode até eventualmente - e sublinhei esta última palavra - ser um mentiroso – mentiroso: adj. e s.m. Que engana; que foge à verdade; enganador, ilusório, mendaz; falso.
Que tem o hábito de mentir”.

Mas não partilho da opinião do País, que lhe chama igualmente corrupto - corrupto: adj. Que sofreu corrupção, podre.
Corrompido, devasso, depravado. Que se deixou corromper ou subornar (…)”como se pretende concluir a partir da ‘fuga de informações’ que virou notícia nos últimos dias e de que falarei a seguir.


Concretizo a minha convicção: Vossa Excelência foi involuntariamente escutado numa ou várias conversas com um senhor que toda a gente tem como um sério candidato a uma futura beatificação, de seu nome José Maria Ricciardi do BESI (BES/Investimentos).

Depois de ter ‘alegado de forma muito convincente em sua defesa' – parabéns por atirar por terra todas as dúvidas dos homens do 'quarto poder' - acrescentou em ar de desafio não ter nada a temer em relação à divulgação dessas conversas, embora lamente a quebra do segredo de Justiça que a referência às mesmas representa.

Esteja Vossa Excelência descansado que o senhor presidente do Supremo Tribunal de Justiça não permitirá que essas escutas possam algum dia ser divulgadas. E eu acho bem que assim seja, porque o actual primeiro ministro de Portugal deve ser tratado da mesma forma e com a mesma deferência que o foi o anterior ainda que, novamente por hipótese absurda, os motivos para proceder de outro modo, possam ser igualmente relevantes.


Mas há uma incómoda dúvida que me ficou aqui a martelar na 'memória RAM', logo depois de ouvir as explicações do já referido ‘santo homem’ a propósito das conversas telefónicas com Vossa Excelência e com outros membros do seu governo:

Onde é que um cidadão anónimo como eu pode encontrar os seus contactos telefónicos  senhor Dr. Passos Coelho? É que isto de cartas – abertas ou fechadas – fica sempre num registo muito frio e impessoal, coisa que eu detesto solenemente. Confesso que procurei no Portal do governo, até fui à sua página do Facebook, mas nada! Só o endereço de correio electrónico...


Portanto, Vossa Excelência atende chamadas de banqueiros com alegadas (novamente um sublinhado para esta palavra) ligações perigosas ao mundo da corrupção – segundo o Sr. Ricciardi, para reclamar pelo facto da sua consultora ter sido preterida por uma outra, creio que norte americana, contratada por ajuste directo para assessorar o governo no processo de privatização da EDP – mas não atende chamadas de cidadãos anónimos como eu, nem que eventualmente e por hipótese absurda eu viesse a descobrir o seu número de telemóvel e tivesse apenas a intenção de lhe dizer que está a governar muito bem o nosso País e que estamos todos consigo, que ainda temos mais um furo no cinto que poderemos apertar, se isso for para bem da Nação.


Deixo-lhe pois aqui esta relevante crítica.


Em segundo lugar – e claramente em contra-corrente com os sentimentos exprimidos nos gritos que vêm da ‘rua’ –  “gatuno, gatuno, gatuno” - quero dizer-lhe que esta (a 'rua') obviamente exagera – gatuno: adj. e s.m. Que ou aquele que furta”.

Ora o roubo dos subsídios de que, quer eu quer a minha mulher, como aposentados da função pública fomos vítimas juntamente com milhares de outros portugueses, em primeiro lugar não foi praticado por Vossa Excelência – pelo menos não foi a sua mão que eu – e muitas outras pessoas com quem falei sobre o assalto - sentimos entrar-nos nos bolsos. No meu caso, quando olhei de soslaio ao aperceber-me da intrusão, pareceu-me mais aquele senhor baixinho que fala d-e-v-a-g-a-r, mas nem disso tenho a certeza.

Aliás, pensando bem, até pode ter sido aquele carteirista que há tempos roubou o senhor da Troika…


Em terceiro lugar, e resumindo tudo o que escrevi:

Vossa Excelência não prezado Senhor primeiro ministro, pode ser chamado de tudo que a ‘rua’ se lembre de lhe chamar mas com o discernimento e a sensatez que eu e muitos portugueses ainda fazemos questão de manter, temos de ser justos consigo: quando foi eleito, estávamos todos na borda do abismo. Felizmente para todos (?), e pela mão de Vossa Excelência, estamos prestes a dar o passo em frente! Paz às nossas almas...

publicado às 19:43

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