Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

VALONGO - NOTAS SOBRE O NAUFRÁGIO DE UMA 'BARCAÇA DE LARANJAS'...

De um tal 'lobo marinho', alguém que conhece o meu e-mail e a quem agradeço esta partilha, recebi o texto que se segue e que coloco online - com a devida vénia - sem qualquer edição.

Ele retrata de forma acutilante e perspicaz o desnorte que campeia no 'laranjal' valonguense, 'claque dos júniores' incluída.


 

 

 


O naufrágio do Vitória de Todos

 

O mais belo paquete do nosso concelho, o Vitória de Todos, naufragou no passado dia 29 de Setembro algures entre Valongo e Alfena, numa noite que indiciava em termos climatéricos ser de bonança, mas que, por variações súbitas e repentinas se veio a revelar fatal para a já histórica embarcação.

O vento começou subitamente a soprar mais forte, o mar ficou revolto, encrespado e a jovem tripulação, mal preparada, não conseguiu manter à tona a velhinha e desgastada embarcação e deu-se o desastre. O navio foi ao fundo!

Afundou-se o navio e com isso também o respectivo capitão, que se transformou no mais recente náufrago político de Valongo. Surpreendido e aturdido pelas circunstâncias, desnorteado e desorientado, procurou desenfreadamente uma qualquer bóia ou pedaço da embarcação a que se pudesse agarrar para assim flutuar e manter-se à tona. E eis que encontra, na confusão do naufrágio, perdido no porão do navio prestes a submergir, um velhinho bote salva vidas, onde ele, mais os seus três Imediatos se conseguem, a custo e apertadinhos, albergar.

Agora, perdido no meio do oceano, dependente dos ventos e marés, sem rumo ou destino e sem conhecimentos na arte ancestral de marear, fica à mercê das forças da natureza… Enquanto não encontra o caminho para casa, vai tentando contar com a ajuda do resto da sua tripulação que ficou em terra… jovens marinheiros, aspirantes de qualquer coisa e que, tal como o capitão, viram os seus sonhos e planos desfeitos pela crueldade fortuita das forças da natureza.

Impulsionar o resgate daquele bote salva vidas não vai ser tarefa fácil, pois estes jovens marinheiros não completaram a sua formação na matéria. Ainda não sabem diferenciar uma nau de uma caravela, não sabem o que é navegar à bolina, o que é um astrolábio, onde fica o bombordo e o estibordo do navio…

Os meninos que aspiravam a qualquer coisa, que já sonhavam com a descoberta de novas terras e com a conquista de muitas riquezas vão ter de perceber que o sonho poderá ter ficado fatalmente adiado e que, ou se dedicam ao estudo das técnicas de navegação, tarefa que obriga a muito trabalho, esforço e dedicação, ou terão de mudar de actividade… (As novas oportunidades ainda não têm cursos nestas matérias...)

Tentar agradar ao timoneiro de outrora, nas condições actuais, não é fácil!

As restantes barcaças que ficaram ancoradas, têm muitos buracos e remendos que os ainda jovens maçaricos não conhecem, e é vê-los agora, no ancoradouro, que nem perdidos, a tentar meter os barcos na água, içar velas, ler os mapas, pegar nos remos...

A confusão é total, mas ainda são os primeiros dias do desnorte, temos de os compreender, afinal são jovens….

Seguramente que assim vai ser muito difícil promover o resgate dos preciosos náufragos…

Mas a verdadeira questão consiste em saber, se daqui por uns tempos, ainda haverá alguém disposto a tentar resgatar aqueles náufragos.

 

publicado às 15:22

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D