Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

DESPENALIZAÇÃO, REFERENDO & DEMAGOGIA...

Ontem, dia 4 de Dezembro e num dos meus raros momentos disponíveis para ver televisão durante o dia, apanhei uma parte do programa da Igreja Católica - Eclesia - transmitido pelo Canal 2 da RTP.

O formato era a entrevista e a entrevistada  (vejam só) uma mulher, pelo que percebi, responsável por uma Instituição particular de apoio a mulheres grávidas...

Muitas referências ao trabalho desenvolvido, que me pareceu meritório e merecedor de todos os elogios, críticas à falta de apoios, nomeadamente por parte do Estado, que também me pareceram justas, garantias de tudo continuar a fazer, para responder à procura de ajuda por  parte de muitas mulheres grávidas em desespero, com vontade de levar a gravidez por diante, mas muitas vezes sem o mínimo de condições para o conseguir sem essa ajuda...

Até aqui, totalmente de acordo. Uma gravidez, quando não planeada, ou resultante de situações em que a  vontade nem sempre está presente, mas que tendo acontecido, é assumida e passa a representar um objectivo da mulher, tem de ser sempre inteiramente apoiada!

O pior, foi a tirada seguinte  da distinta entrevistada:

" ...o aborto, nunca! A mulher tem que ser em primeiro lugar, responsável na sua sexualidade por forma a evitar uma gravidez não desejada, mas se ela acontece, já não lhe cabe a ela decidir..."

"...porque a nova vida que gerou, é autónoma e tem direitos próprios..."

"...porque em última instância, nunca poderia ser só a mulher a decidir (e então o pai?)..."

"...porque o que vai acontecer, é que vai disparar, o negócio das clínicas privadas..."

"...se o Estado, em vez de subsidiar as Clínicas e Hospitais que vão fazer abortos, nos desse esse dinheiro, se calhar poderíamos apoiar todas as mulheres grávidas em dificuldades ..."

E a senhora simpática, bem falante de rosto fresco e bem maquilhado continuou a discorrer, aparentando agora um total desfasamento relativamente ao verdadeiro drama, vivido essencialmente pelas mulheres e quase sempre em completa solidão, quando confrontadas com uma gravidez não desejada, muitas vezes até, imposta de forma violenta...

Se não fosse católico e  uma pessoa minimamente atenta e informada, ficaria com a ideia, que a senhora e a Igreja Católica são contra  Despenalização, porque disponibilizam às mulheres, todos os meios de informação e ajuda para que a gravidez não desejada não possa acontecer...

Pensaria por exemplo nos vários métodos contraceptivos (incluindo o uso do preservativo) aconselhados pela Igreja...

Mas sou católico e informado e conheço a posição da Igreja, desde logo, em relação ao preservativo, mesmo no que à prevenção das doenças sexualmente transmissíveis se refere...

E depois, a senhora não falou, porque politicamente incorrecto, no problema das adolescentes grávidas, meninas e mães ao mesmo tempo, sem o desejarem minimamente e quase sempre sem fazerem sequer ideia de como tudo aconteceu ...

Como não falou no drama daí resultante, dos avós que sem o desejarem, passam a ser "pais" do neto, enquanto a mãe continua os seus estudos  e a viver a sua vida de adolescente...

(Eu que trabalhei num Hospital Pediátrico, convivi no meu dia-a-dia, com muitos destes dramas: Os avós a acompanharem o neto internado enquanto a jovem mãe ia namorar ou divertir-se um pouco, como é normal nas jovens do seu escalão etário...)

E depois, confesso que me desagradou, ver num programa da minha Igreja Católica, fazer uma abordagem tão demagógica deste problema:

O que está em causa, não é o incentivo ao aborto, mas sim a sua despenalização no sentido de colocar em pé de igualdade a mulher rica que vai a Espanha fazer a interrupção da gravidez e a pobre, que actualmente, só pode recorrer à ajuda criminosa de alguém sem escrúpulos, num qualquer vão de escada...

E este processo, não invalida, nem pode,  que se disponibilize às mulheres grávidas toda a informação, todo o apoio e ajuda com vistas a uma gravidez, que apesar de todas as condicionantes que possam existir, elas desejem prosseguir!

Por isso, o que eu desejo (e julgo que como eu, a maioria dos portugueses) é que todo o processo que antecede o referendo, seja vivido de forma empenhada e militante pelos dois lados da trincheira mas sem demagogia e sobretudo, sem colocar rótulos às mulheres que quantas vezes ao longo da sua vida, é possível encontrar episodicamente de um ou outro lado dessa mesma trincheira sem que isso represente qualquer alteração da sua forma de pensar!

 

publicado às 14:30

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D