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A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

CITANDO JOSÉ ANTÓNIO BARREIROS - A TRAPEIRA DE JOB...

Vale a pena ler este excelente texto do meu amigo e ilustre advogado Dr. José António Barreiros publicado no seu Blog 'A Revolta das Palavras'.

Diz muito - quase tudo - sobre o caminho que nos trouxe até a este estado de decadência, talvez menor que aquela que justificou - segundo relata o Velho Testamento - que Deus tivesse mandado destruir Sodoma:

Mas talvez antes de o lermos, se justifique que dispensemos uns minutos a visitar a página da Rádio Sempre (profissionais da antiga Rádio Moçambicana) e ouvi-lo pela voz da jornalista Dina Maria.

Vivemos divididos entre a parte imbecil do futebol e a imbecilidade total das novelas da noite, antecedidas da outra que passa em todos os canais, sobre os amigos espiões de Miguel Relvas e sobre se este - aceitam-se apostas - se aguenta nas canetas e continua no governo.

Já não era pequena a dose, mas mesmo assim, ganhamos ainda uma mais recente sobre o novo escândalo que envolve o Vaticano e que já levou à prisão do mordomo do Papa - ver AQUI - que seguramente ainda vai ter muitos episódios 'interessantes' para debater à mesa do café, entre o pastel de nata contrafeito e o galão aguado.

E com tantos conteúdos de entretenimento, 'lá vamos cantando e rindo' até ao próximo resgate da troika - será que ainda vivos?

Obrigado meu querido amigo Dr. José António Barreiros - por escrever tão bem e nos 'contaminar' com a sua Revolta das Palavras de que eu sou um fiel seguidor.


Houve um tempo em que, nos lares, se aproveitava para a refeição seguinte o sobejante da refeição anterior, em que, com ovos mexidos e a carne ou peixe restante, se fazia "roupa velha". Tempos em que as camisas iam a mudar o colarinho e os punhos do avesso, assim como os casacos, e se tingia a roupa usada, tempos em que se punham meias-solas com protectores. Tempos em que ao mudar-se de sala se apagava a luz, tempos em que se guardava o "fatinho de ver a Deus e à sua Joana".

E não era só no Portugal da mesquinhez salazarista. Na Inglaterra dos Lordes, na França dos Luíses, a regra era esta. Em 1945 passava-se fome na Europa, a guerra matara milhões e arrasara tudo quanto a selvajaria humana pode arrasar.

Houve tempos em que se produzia o que se comia e se exportava. Em que o País tinha uma frota de marinha mercante, fábricas, vinhas, searas.

Veio depois o admirável mundo novo do crédito. Os novos pais tinham como filhos uns pivetes tiranos, exigindo malcriadamente o último modelo de mil e um gadgets e seus consumíveis, porque os filhos dos outros também tinham. Pais que se enforcavam por carrões de brutal cilindrada para os encravarem no lodo do trânsito e mostrarem que tinham aquela extensão motorizada da sua potência genital. Passou a ser tempo de gente em que era questão de pedigree viver no condomínio fechado, e sobretudo dizê-lo, em que luxuosas revistas instigavam em couché os feios a serem bonitos, à conta de spas e de marcas, assim se visse a etiqueta, em que a beautiful people era o símbolo de status, como a língua nos cães para a sua raça.

Foram anos em que o Campo se tornou num imenso ressort de Turismo de Habitação, as cidades uma festa permanente, entre o coktail party e a rave. Houve quem pensasse até que um dia os Serviços seriam o único emprego futuro ou com futuro.

O país que produzia o que comíamos ficou para os labregos dos pais e primos parolos, de quem os citadinos se envergonhavam, salvo quando regressavam à cidade dos fins de semana com a mala do carro atulhada do que não lhes custara a cavar e às vezes nem obrigado.

O país que produzia o que se podia transaccionar, esse, ficou com o operariado da ferrugem, empacotados como gado em dormitórios, e que os víamos chegar mortos de sono logo à hora de acordarem, as casas verdadeiras bombas-relógio de raiva contida, descarregada nos cônjuges, nos filhos, na idiotização que a TV tornou negócio.

Sob o oásis dos edifícios em vidro, miragem de cristal, vivia o mundo subterrâneo de quantos aguentaram isto enquanto puderam, a sub-gente. Os intelectuais burgueses teorizavam, ganzados de alucinação, que o conceito de classes sociais tinha desaparecido. A teoria geral dos sistemas supunha que o real era apenas uma noção, a teoria da informação substituía os cavalos-força da maquinaria pelos megabytes de RAM da computação universal. Um dia os computadores tudo fariam, o Ser-Humano tornava-se um acidente no barro de um oleiro velho e tresloucado que, caído do Céu, morrera pregado a dois paus, e que julgava chamar-se Deus, confundindo-se com o seu filho e mais uma trinitária pomba.

Às tantas, os da cidade começaram a notar que não havia portugueses a servir à mesa, porque estávamos a importar brasileiros, que não havia portugueses nas obras, porque estávamos a importar negros e eslavos.

A chegada das lojas-dos-trezentos já era alarme de que se estava a viver de pexisbeque, mas a folia continuava. A essas sucedeu a vaga das lojas chinesas, porque já só havia para comprar «balato». Mas o festim prosseguia e à sexta-feira as filas de trânsito em Lisboa eram o caos e até ao dia quinze os táxis não tinham mãos a medir.

Fora disto, os ricos, os muito ricos, viram chegar os novos ricos. O ganhão alentejano viu sumir o velho latifundário absentista pelo novo turista absentista com o mesmo monte mais a piscina e seus amigos, intelectuais, claro, e sempre pela reforma agrária, e vai um uísque de malte, sempre ao lado do povo, e já leu o New Yorker?

A agiotagem financeira, essa, ululava. Viviam do tempo, exploravam o tempo, do tempo que só ao tal Deus pertencia, mas, esse, Nietzsche encontrara-o morto em Auschwitz. Veio o crédito ao consumo, a Conta-Ordenado, veio tudo quanto pudesse ser o ter sem pagar. Porque nenhum Banco quer que lhe devolvam o capital mutuado, quer é esticar ao máximo o lucro que esse capital rende.

Aguilhoando pela publicidade enganosa os bois que somos nós todos, os Bancos instigavam à compra, ao leasing, ao renting, ao seja como for desde que tenha e já, ao cartão, ao descoberto-autorizado.

Tudo quanto era vedeta deu a cara, sendo actor, as pernas, sendo futebolista, ou o que vocês sabem, sendo o que vocês adivinham, para aconselhar-nos a ir àquele Balcão bancário buscar dinheiro, vendermo-nos ao dinheiro, enforcarmo-nos na figueira infernal do dinheiro. Satanás ria. O Inferno começava na terra.

Claro que os da política do poder, que vivem no pau de sebo perpétuo do fazer arrear, puxando-os pelos fundilhos, quantos treparam para o poder, querem a canalha contente. E o circo do consumo, a palhaçada do crédito servia-os. Com isso comprávamos os plasmas mamutes onde eles vendiam à noite propaganda governamental e, nos intervalos, imbelicidades e telefofocadas, que entre a oligofrenia e a debilidade mental a diferença é nula. E, contentes, cretinamente contentinhos, os portugueses tinham como tema de conversa a telenovela da noite, o jogo de futebol do dia e da noite e os comentários políticos dos "analistas" que poupavam os nossos miolos de pensarem, pensando por nós.

Estamos nisto.

Este fim-de-semana a Grécia pode cair. Com ela a Europa.

Que interessa? O Império Romano já caiu também e o mundo não acabou. Nessa altura, em Bizâncio, discutia-se o sexo dos anjos. Talvez porque Deus se tivesse distraído com a questão teológica, talvez porque o Diabo tenha ganho aos dados a alma do pobre Job na sua trapeira. O Job que somos grande parte de nós.

 

publicado às 14:32

EXISTEM ELOS QUE SÓ A MORTE CONSEGUE QUEBRAR...

Hoje foi um dia diferente...

Os jovens que agora têm a sorte de não verem a sua vida de estudo ou profissional interrompida por um período de serviço militar obrigatório - que no caso de incluir uma comissão nas ex-colónias, podia chegar aos quatro anos, como foi o meu caso - dificilmente conseguirão entender a ambiência muito especial que costuma caracterizar os múltiplos encontros quase sempre anuais que os ex-combatentes costumam realizar por esse País fora.

Hoje foi o dia da Companhia de Artilharia 2746.

Em cada ano um pouco mais velhos, às vezes registando com tristeza a notícia sobre alguns ausentes com cuja presença nunca mais poderemos contar, apesar de tudo, hoje todos pudemos constatar como é ainda imensa aquela reserva de alegria que nos fez recordar os momentos melhores, ou para sermos mais rigororosos, os menos maus, que o poder iníquo que na altura punha e dispunha sobre as nossas vidas nos obrigou a viver.

No nosso caso, recordamos Moçambique e Cabo Delgado e uma vida de muitas privações vivida entre 1970 e 1972.

E a esta distância, esquecendo os achaques que a uns mais a outros menos, já nos vão afectando, foram momentos bem passados num dia de fraterno convívio.

Verdade seja dita, a presença de muitas companheiras e muitos filhos e netos ajudaram na animação - alguns e algumas ouvindo-nos provavelmente falar pela enésima vez daquele episódio mais caricato,  daquela situação mais complicada enfrentada e resolvida com sucesso, daquela conversa brejeira sobre epísódios de 'interacção racial' jamais abordados com as companheiras fora destes contextos...

Foi Bom! Foi na Torreira, no Hotel Restaurante Jardins da Ria e de parabéns pelos bons momentos proporcionados - com muita gula integralmente saciada  à mistura - está o alferes Pinho - alferes? já devia ser no mínimo,  general na reserva!

Teve obviamente algumas ajudas que não passaram despercebidas: das simpatiquíssimas esposa e filha e do 'eléctrico' Mendes...

Só mesmo nós e os nossos familiares mais directos conseguimos 'entrar' no verdadeiro âmago destes momentos mágicos!

Já agora - e garanto que não ganho nada com a publicidade! - recomendo vivamente a outros ex-combatentes, quer o local, quer o serviço, quer ainda o preço do qual me dispenso de falar, mas que está significativamente abaixo do de muitas iniciativas idênticas que conheço.

 

publicado às 22:23

COISAS DO MEU PASSADO ...


Não é por acaso que África tem para mim uma inexplicável magia

Não é por acaso que a música, os ritmos das danças, sobretudo quando tudo isto 'casa' com a sonoridade mágica dos instrumentos tradicionais africanos, sempre me causam uma imensa nostalgia.

Apesar do contexto difícil em que os milhares de jovens foram passando por África (no meu caso, Moçambique) - forçados embora, violentados na sua liberdade de escolha que não tinham - África não representou só coisas más para nós. Representou também uma profunda oportunidade que todos tivemos de nos tornarmos amigos de uma forma tão especial que eu próprio, tenho dificuldade em traduzir por palavras - e não apenas amigos europeus, que essa amizade se estendeu a muitos africanos com quem pudemos conviver durante a nossa permanência porque não foi apenas de guerra feita a nossa vida!

Estou convencido, tenho mesmo a certeza, que mesmo os combatentes para quem nós teoricamente éramos o inimigo, mais tarde, vieram a compreender melhor que não nos limitamos a esse papel.

Eu sobretudo, no meu papel de furriel miliciano enfermeiro, gastava mais de metade da minha dotação em medicamentos, com a população civil - e juro que não tínhamos ninguém a averiguar se os doentes o feridos que nos pediam ajuda eram ou não familiares de combatentes!

África - Angola por onde passei, Moçambique onde estive mais de dois anos - como te amo!

publicado às 18:16

PARABÉNS A... MIM (EM DOBRO) - QUE MODESTO QUE SOU...

Em 17-04-2006, às 10:32:30 horas, escrevi o texto que repito abaixo:

 

Não assinalei o acontecimento ontem, porque aniversário do blog e do blogger quase se confundem:

De facto, se faz hoje 64 anos eu não tivesse resolvido aparecer e continuar por cá, o blog também não teria nascido, não teria feito ontem 6 anos de actividade ininterrupta e o post - que agora sim vou colar abaixo - não teria sido escrito.

Obrigado a todos pelos parabéns ao blogger que já me enviaram e pela fidelidade que têm mantido nesta relação aberta e descomprometida com o blog.


MUNDO REAL (O REGRESSO...)

 

Chegou uma altura em que me cansei literalmente de viajar pelo espaço intergaláctico arrastado pela ânsia constante e compulsiva de encontrar as novas realidades apregoadas até à exaustão, pelos convincentes vendedores de sonhos que em dado momento do meu percurso terreno se encontravam profusamente disseminados à minha volta...

Diziam-me ser necessário - e possível - reconfigurar o mundo, à luz de uma nova doutrina e construir novas sociedades onde os homens fossem mais iguais - ou menos diferentes...

"De cada um, segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades..."

A realidade que me rodeava colidia definitiva e violentamente com este princípio: - os mais fortes , os mais capazes, os mais poderosos, eram os donos (naturais) do poder.

Aos outros - os mais fracos, os menos capazes e sem qualquer poder estava absolutamente vedada, qualquer tentativa  de aceder ao mesmo.

Daí que nem fosse muito difícil convencer-me a embarcar na nave dos sonhos e partir!

Só necessitei de algum tempo para me programar, carregar baterias, ligar os propulsores:(MDP/CDE, Jornal Opinião, Jornal Avante, PCP, Sindicatos, SUV-Soldados Unidos Vencerão as acções defensivas do PREC - onde as armas nem sempre se resumiam às palavras mais ou menos inflamadas)

E fui!

Aportei numa imensa galáxia, onde era suposto tudo ser diferente.

Mas com o passar dos dias e apesar do esforço que fazia, só conseguia ver semelhanças!

Vanguarda, gloriosos dirigentes (elite, classe de privilegiados...).

De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades (as capacidades de muitos eram de facto imensas, mas as necessidades de poucos eram tão grandes, que absorviam quase toda a riqueza por eles produzida!

Estava na Pátria do Socialismo - a Gloriosa URSS - e não descortinava vestígios do mesmo.

Apesar de tudo, insisti na busca, ao longo dos quase 7 meses que por lá andei, mas o que via todos os dias, era um Povo sofredor privado muitas vezes do essencial, em benefício da sua Gloriosa classe dirigente e de muitos largos milhares de estrangeiros - entre os quais eu me incluía - que por lá permaneciam num inegável e gigantesco esforço de catequização política...

Mesmo assim, fiz um esforço suplementar, para me deixar convencer e corresponder ao investimento que vinham fazendo comigo e lá parti de novo - após alguns meses de intervalo em trabalho sindical - desta vez, rumo a um País, artificialmente encravado dentro de outro País - a igualmente Gloriosa  RDA

Caí definitivamente em mim e desisti !

E como desejei voltar! (não por saudades do que havia deixado, mas por acreditar que o sonho, apesar de tudo, continuava a ser possível, sem a necessidade de importar modelos, que ainda por cima, se resumiam a conceitos teóricos e não testados  - ou pior do que isso - subvertidos e falseados)...

Foi bom enquanto durou:  um pouco mais que um sono, bastante menos que uma vida, que essa, prossegue por enquanto com horizontes bem mais terrenos - MAS ONDE APESAR DE TUDO, É AINDA POSSÍVEL ALIMENTAR O SONHO...

 

publicado às 11:17

O "LEASING" DAS BARRIGAS FEMININAS...

Volta de novo a estar na ordem do dia, a discussão da (por enquanto, ainda) designada "barriga de aluguer".

O problema que importa antes de mais esclarecer, é se se trata disso mesmo - de alugar (*) a barriga - ou pelo contrário, de um "empréstimo benévolo" da mesma, designação que parece ser a mais preferida por quem na Assembleia da República tenta trazer de novo este assunto para a discussão legislativa.

Ora bem... Eu nunca fui um grande adepto da modalidade de alugar coisas ou bens de utilização prolongada e neste caso por se tratar do aluguer de (parte de) uma pessoa, ainda o sou menos.

Porém, a minha opinião vale o que vale e seguramente muito pouco, perante (ao que parece) tantos defensores da sugerida modalidade, não fora opinião serena, fundamentada, lúcida do ilustre professor Daniel Serrão, relativamente ao qual nem sempre tenho estado de acordo, nomeadamente e por exemplo a sua opinião sobre a legalização da interrupção voluntária da gravidez, mas com o qual concordo em absoluto em relação a este assunto.

E já agora, vejam lá - pré-legisladores e fazedores de opinião - se se entendem em relação à terminologia: aluguer ou empréstimo benévolo? - da barriga...


 

 

Maternidade para substituição

Daniel Serrão

Por esta designação – mais adequada que a vulgar “barriga de aluguer” – entende-se a indução de gravidez numa mulher, pelo processo de transferência de um embrião constituído em laboratório, com o compromisso, contratualizado, de que a criança que venha a nascer será entregue a outrem.

A situação típica em que tem sido invocada a necessidade de recurso a esta maternidade é a de um casal no qual a esposa, por acidente ou por doença, perde definitivamente a capacidade de usar o útero para nele se desenvolver uma gravidez. E deseja intensamente ter um filho a partir dos seus ovócitos e dos espermatozoides do marido. E sofre, no plano emocional e afetivo, por não poder realizar este seu desejo, que é também desejo do casal.

Ou seja, o casal tem condições para gerar um filho com os seus gâmetas mas esse filho não pode ser desenvolvido no útero da mãe porque tal útero não existe ou não tem capacidade funcional para a gravidez. Como a fertilização gamética extracorporal , em laboratório, se tornou possível e é usada para os casos de infertilidade de casais, encarou-se a possibilidade de “prolongar” esta técnica, recorrendo a um útero natural, noutra mulher, com entrega da criança nascida aos pais biológicos.

Pode olhar-se esta situação de dois prismas, ambos legítimos.

Como um ato de amor e generosidade no qual uma mulher abdica de um filho que nela se desenvolveu durante nove meses e o entrega aos pais biológicos; como uma manipulação da maternidade, poder supremo da mulher, que até pode ser grosseira se estiver em causa um pagamento por este “serviço”. (uma simples consulta à Net, mostra como, em vários países, está organizada e é publicitada uma “indústria” de produção de crianças que são vendidas). Mas, seja qual for o prisma de observação temos de reconhecer que estão em causa pelo menos, três interesses que terão de ser acautelados se vier a ser aprovada legislação que permita esta prática. Que sempre será excecional dada a reconhecida raridade deste tipo de impossibilidade de conceção maternal.

São eles o interesse da mulher que se disponibiliza para ser a criadora uterina do filho, os interesses do filho a nascer, os interesses do casal que recorre a esta prática.

Levantam-se muitas dúvidas sobre a possibilidade de compatibilizar estes três interesses sem a produção de um texto jurídico muito apurado e completo.

Por exemplo: o ato médico de transferir para o útero da mãe portadora o embrião constituído em laboratório tem de passar por uma informação completa, verdadeira e compreensível, na qual não sejam escamoteadas as consequências da relação feto/mãe/feto, próprias de toda a gravidez, que se destinam a garantir a sobrevivência do feto antes e depois do nascimento e que constituem o essencial da biologia da maternidade. Sabe-se hoje (Biological Psychiatry, 63,415-423,2008) que o funcionamento cerebral da mulher é modificado durante a gravidez o que torna muito difícil a separação do filho nascido.

Também uma informação séria e completa dos riscos inerentes à gravidez em geral, incluindo o de abortamento espontâneo, e ao parto, que pode ter de ser cirúrgico, como na gravidez em geral. Esta gravidez, por ser para substituição, não é no interesse da mulher que vai engravidar mas no interesse de outrem; o que impõe, ao médico, a obrigação ética de dar informação completa e rigorosa dos riscos inerentes ao ato médico que vai praticar.

E se a gravidez se tornar uma gravidez de risco, se o feto tiver malformações graves ou, simplesmente, se a mulher portadora decidir mudar de opinião, pode ou não recorrer ao abortamento legal?

Se a criança nascer com defeitos congénitos ou adquiridos, por exemplo por parto distócico, a mãe biológica pode recusar-se a aceitar o filho “encomendado”.

Se a mãe portadora, por generosidade e amor, decidir depois do parto, não entregar o filho à mãe biológica, vai ser punida por ter mudado de opinião (sendo que esta mudança é de raiz neurobiológica)?

Se o casal se divorciar durante o período de gravidez para substituição e nenhum dos cônjuges quiser receber o filho, a mãe portadora vais ter de ficar com ele?

As questões elencadas são um simples exemplo, muito incompleto, das dificuldades médico-jurídicas que a lei, a existir, terá de considerar.

Há, ainda, lugar para uma reflexão ética e sociológica que ficará para outra oportunidade.

Daniel Serrão, médico 

(*) v. t.
1. adquirir algo temporariamente: Ele alugou uma bicicleta.
2. ceder temporariamente em troca de pagamento: A proprietária alugou-me o apartamento.

publicado às 14:37

ATRASOS E OUTONAIS INCONTINÊNCIAS...

Chegaste finalmente. Cheio de pujança, sem te fazeres anunciar - talvez porque já vinhas atrasado e sabias que estavam todos à tua espera há imenso tempo.

Não sei se terá sido a "tântrica contenção" em que te mantiveste durante mais de um mês, ou outra razão qualquer a motivar a abundância de fluidos com que na tua primeira investida presenteaste aqueles que te aguardavam, mas a verdade é que tirando as barragens, que são umas "insaciáveis compulsivas", houve muito quem se queixasse da tua pujança repentina.

Sabes como são as pessoas: umas eternas insatisfeitas!

Se a abordagem é demasiado impetuosa, "está tudo mudado, já nada é como antigamente, cada coisa a seu tempo, com respeito sem saltar etapas..."

Se pelo contrário as afagam demasiado, se exageram nos carinhos ou de forma (que elas consideram) demasiado contida, retardando porventura um pouco o clímax, lá vem a queixa inversa: "que nunca mais chega, que já basta de intróitos, que querem é abundantes libações, que não é justo estar há tanto tempo a fazer-se caro, ou pior do que isso, que até parece que está de conluio com o rival, permitindo-lhe que mantenha um poder que já deixou de lhe pertencer".

Desta vez - ontem mais precisamente - ganhaste coragem e digo-te mais: satisfizeste plenamente  até os desejos mais radicais!

Mas como sempre acontece, para muita gente a "sede" virou rapidamente saciedade - porventura, rapidamente demais, dado o teu vigor um pouco excessivo - e da saciedade à rejeição, vai como sabes, apenas um pequeno passo.

Esqueci-me no início de te chamar pelo nome - Outono - uma estação para a qual o calendário já nos remetia há mais de um mês, mas que tu foste "adiando" este tempo todo, deixando-nos entregues a um Verão usurpador, renitente em partir, para gáudio de alguns e preocupação de outros que ainda vivem muito na base da regularidade desta intermitência trimestral das estações.

Benvindo por isso Outono, mas já agora que chegaste tarde e a más horas, bem que podias ter entrado mais sereno, com  mais doçura. Aquela doçura dos frutos maduros, das castanhas assadas, da mudança gradual dos tons da natureza e não soprando que nem monstro danado e "aliviando-te" do excesso de líquidos daquela forma incontida a que ontem assistimos.

Quero acreditar que foi apenas um momento de desvario da tua parte e que vamos continuar a ter-te como sempre, ternurento, melancólico, inspirador de poetas e pintores, conciliador entre extremos antagónicos.

Deixa os excessos para esses extremos - os teus dois outros parceiros - o que te precedeu e aquele que te virá tomar o lugar. Tu não és destas coisas!

publicado às 16:13

EXCENTRICIDADES VERSUS INSANIDADES...

Funcionários da Câmara de Barcelos escapam aos cortes nos subsídios de férias e de Natal

Os funcionários da Câmara de Barcelos vão receber em 2012 os subsídios de férias e de Natal, depois de uma proposta nesse sentido ter sido aprovada hoje por unanimidade em reunião de executivo.

O município tem cerca de 800 funcionários, que, no total, perderiam em 2012 cerca de um milhão de euros se não recebessem aqueles subsídios.

Jornal de Negócios (...)


Ora bém...

Os números remetem-nos para um quadro de pessoal idêntico ao de Valongo.

Claro que as semelhanças se ficarão provavelmente por aqui, dado que quanto ao resto - situação financeira, qualidade dos Vereadores e tudo o que de mau nós conhecemos a nível da gestão da nossa autarquia - nem vale a pena falar.

Portanto, talvez fosse uma boa ideia para os nossos funcionários, começarem a equacionar a hipótese - meramente académica - de pedir transferência para Barcelos.

O problema, é que um movimento recíproco em sentido inverso, nem sequer passaria pela cabeça dos colegas barcelenses!

Há no entanto nesta situação, algo que não abona muito em favor dos magnânimos autarcas da "terra do galo" - porque mesmo as excentricidades têm um limite, limite esse a partir do qual, já estamos a falar de outra coisa: INSANIDADE!

Claro que em Valongo, se o fundo do cofre não estivesse mais que rapado e os "quatro que trabalham" resolvessem tomar idêntica atitude, os nossos funcionários ficariam provavelmente tão satisfeitos como hoje vimos os de Barcelos, nas várias reportagens à volta desta insanidade.

Só que não é assim que se contorna a situação injusta e discriminatória que foi tomada pelo governo em relação aos funcionários públicos!

Além do mais, potencia a desistência de lutar por condições de vida mais justas, por uma maior equidade na "repartição" da austeridade, pelo combate às mordomias dos "boys"...

Significaria ainda, que em determinadas "manchas" deste País a bater no fundo - poucas seguramente, onde os orçamentos ainda são excedentários -  cada um se limitaria a ficar confinado ao seu "aconchego caseiro" deixando para os restantes, infelizmente a maioria, a luta por melhores condições de vida!

E andamos nós a falar das excentricidades do Alberto João e de Carlos César... Afinal havia outros!

publicado às 21:09

DIA MUNDIAL DA ERRADICAÇÃO DA POBREZA

Sei que é apenas mais um dia - perdido entre os 365 que o ano tem - em que nos lembramos de uma qualquer causa em especial.

Hoje é o da erradicação da pobreza, que só existe, porque uma parte significativa deste mundo selvagem  em que vivemos (há quem lhe chame sociedade desenvolvida, mundo civilizado e outras abstracções sem qualquer correspondência com os comportamentos concretos) não sabe produzir de forma racional e sobretudo, não sabe repartir aquilo que produz.

Tudo funciona na base do lucro fácil e aquilo que sobra, num processo de produção intensivo e muitas vezes insensível a questões de natureza ambiental, sanitária até, tem de ser destruído para não contribuir para a queda dos preços e consequente diminuição das margens de lucro.

Hoje não existem hortas, existem fábricas de hortaliça. O peixe não é pescado por barcos é varrido ou sugado por gigantescas fábricas flutuantes que depois o processam de forma intensiva e o transformam em sucedâneos a que nós continuamos a atribuir a designação inicial.

Idênticos processos - com as devidas adaptações - se aplicam ao "fabrico intensivo" da carne, da fruta, do "leite" com sabores, com vitaminas - e com "E" quantos bastem...

O pão, base da alimentação dos povos há uns anos atrás, esse é hoje em dia o resultado de um processo industrial complicado que se inicia com o cultivo e o processamento de umas plantas a que se continua por hábito a chamar de "milho", "trigo", "centeio" "cevada"... de onde se extraem depois os respectivos grãos, algo entre o transgénico e o natural aditivado, tratados quimicamente, adicionados de compostos com muitos "E", mantidos em gigantescos silos (antigamente celeiros) de onde saem em silos mais pequenos transportados por camiões gigantes para instalações dotadas de gigantescas trituradoras (antigamente moinhos) e vendidos nas padarias em sacos gigantes irrepreensivelmente embalados, para serem finalmente processados em máquinas esquisitas que substituem as mãos do homem. Enquanto isso, este vai enchendo o depósito de fuel ou outro combustível equivalente que fará funcionar os bicos semelhantes a canhões de guerra que vão fazer jorrar as chamas que irão aquecer a caverna gigante, simétrica ordenada onde os "pães" devidamente pesados - que a ASAE (no caso português) anda agora mais atenta - em filas ordenadas dispostos em múltiplos tabuleiros sobrepostos.

E enquanto o "maquinista" (antigamente padeiro) vai preparando nova "recarga", vai controlando a contagem decrescente de alguns dígitos a brilhar no painel de controlo da máquina, pronto a actuar ao som do "bip", quando tudo forem zeros no referido visor a fim de descarregar o "produto acabado" (leia-se pão) que há-de alimentar (apenas) quem o puder pagar.

Este á o processo que alimenta o mundo dito civilizado e as camas dos hospitais, porque a natureza nem sempre se compadece com transformações demasiado agressivas no nosso tipo de alimentação.

Claro que esta forma intensiva de produzir aquilo que comemos, deixa ainda menos desculpa para que tanta gente no mundo se veja excluída dos resultados da mesma.

E a razão é simples: O processo é intensivo, mas também é "inteligente", porque só produz de acordo com as necessidades daqueles que podem pagar - vá lá, esporadicamente deixa escapar uns excedentes que magnanimamente vai encaminhando para a FAO ou para algumas ONG's, mas de forma milimetricamente controlada para não pôr em causa os níveis dos preços nos mercados.

Por isso é que eu sou, por princípio, contra os "dias de qualquer coisa", sobretudo contra este, que por todas as razões, não deveria constituir (apenas) um minúsculo ponto no nosso calendário anual.

publicado às 10:27

A CRISE - A ECONÓMICA E A DE VALORES...

Com muita frequência, "vemos, ouvimos e lemos" que algumas das políticas sociais que foram sendo implementadas ao longo destes últimos anos, não alcançaram (não alcançam) os resultados que se pretendiam obter quando as mesmas foram criadas.

A meu ver, há algumas razões que explicam esse insucesso:

À cabeça vem-nos logo a questão do Rendimento Social de Inserção (RSI) que desde início, serviu na esmagadora maioria dos casos - e isto, sem pôr em causa as reais necessidades de quem a ele recorria (recorre) - como "moeda de troca" para angariar votos.

O poder discricionário que sobretudo ao nível do poder local, era concedido àqueles que tinham de informar os processos por exemplo, funcionou como uma autêntica "fábrica de maiorias eleitorais". Depois, a atribuição dessa ajuda, foi sempre na base da caridadezinha e da esmola - e quem dá uma esmola não exige como é óbvio, nada em troca - quando, como o próprio nome indica, ela deveria servir para envolver as pessoas em trabalho social concreto e por via disso, ajudá-las a inserir-se de novo ou pela primeira vez, no mundo do trabalho.

Por isso é que vemos (ainda) um elevado número de cidadãos em idade adulta activa  - às vezes agregados familiares completos - que estruturaram completamente a sua vida com base neste subsídio e depois, escandalizámo-nos, porque alguém em muitos sítios do País, em muitas actividades e dos mais diversos estratos sociais, que sendo chamado para uma proposta de emprego, arranja todos os argumentos possíveis e imaginários para a recusar!

E catalogámo-los logo: preguiçosos, oportunistas, "subsídio dependentes"...

Esquecemo-nos é de que foram os políticos, os autarcas, as pessoas com alguma possibilidade de ajudar a construir uma mentalidade nova, que foram formatando - em benefício próprio - esta maneira de encarar as ajudas que o Estado vai dando a alguns, usando as contribuições de muitos. Sim porque o Estado não tem dinheiro nem uma máquina de o fazer: ele vem dos impostos de quem trabalha ou cria emprego!

Já hoje num comentário feito no Facebook a propósito deste problema e desta questão de existirem dezenas, centenas, talvez milhares de ofertas de emprego que são recusadas por centenas, milhares, talvez dezenas de milhares de subsídio dependentes - eu falei do que pelo menos até há algum tempo atrás, se passava aqui em Alfena.

Pena é que os Organismos fiscalizadores não tenham andado e continuem a não andar, atentos aos "sinais exteriores de maiorias" e ao contrário de outras buscas, não tenham preferido direccionar algumas para esta área específica.

Agora também, isso já não é muito relevante porque a contenção é tanta, que a "torneira" se fecha e raciona de forma automática o respectivo "débito" - criando porém aqui - através dos "cortes cegos" novas formas de injustiça.

publicado às 12:54

O QUE É MEU NINGUÉM ME TIRA... (*)

 


 

Já falei do meu jardim há tempos atrás - a propósito de um poste da EDP que me me "plantaram" junto à minha japoneira predilecta.

Não é sobre isso que quero hoje escrever, mas já agora, relembro a dúvida que na altura me invadiu e que deu origem a duas reclamações a que a empresa respondeu negativamente e a duas queixas apresentadas ao Provedor do cliente - vão já quase dois meses - e sobre as quais nada me foi dito até ao momento - é este o tipo de "Provedores" que as empresas que prestam serviços públicos fingem ter e este o tipo de "trabalho" que os ditos aprentam em prole da alegada defesa dos consumidores:

Será que existe alguma lei que me obrigue a ceder gratuitamente um espaço que é privado, para instalar uma infra-estrutura que é pública e deveria ser instalada no passeio - do outro lado do muro?

Regressemos porém ao meu jardim, versão micro, na avaliação que eu faço sobre um espaço onde tenho de me limitar a assistir às corridas desenfreadas da caniche míni da família, porque o dito não daria, mesmo que me apetecesse fazê-lo, para a acompanhar e participar mais activamente nas suas brincadeiras.

Mesmo assim - e acho que também já o referi num outro post - ainda chega para uns quantos arbustos ornamentais e para uma oliveira centenária.

É sobre ela - ou melhor, sobre algo que tem a ver com ela - que hoje quero escrever.

Ao contrário de anos anteriores, em que foi demasiado avara na produção, este ano, excedeu-se em generosidade e presenteou-me com uma carga de azeitonas da espécie "bical" - aquelas de que mais gosto - as quais se começam a aproximar do ponto ideal para fazer o varejo, com o respectivo lençol velho estendido na relva para facilitar o aproveitamento total das mesmas.

Acontece que uma quantidade significativa da "produção" amadureceu mais cedo um pouco e comecei a notar que uns certos "predadores" com asas as andavam a roubar descaradamente à vista dos meus olhos.

Varejo excluído, devido ao atraso no desenvolvimento das restantes, resolvi fazer o óbvio - e obviamente mais trabalhoso também -  pegar um escadote adequado, um balde de plástico e uma dose de paciência à medida da tarefa e lá fui fazer uma colheita selectiva que me empatou uma horita bem medida e uma meia dúzia de mudanças de posição do referido escadote.

Colheita compensadora - mais de dois quilos - para a pequena amostra que representa em relação às que restam e que espero bem que resolvam amadurecer mais ou menos ao mesmo tempo, para me facilitar a tarefa.

Fiquei com a ideia de que o meu trabalho foi "sindicado" à distância pelos "predadores", mas com a minúcia com que o levei a cabo, pode ter ficado uma ou outra mais coradinha, esquecida atrás de algum ramo mais denso, mas não vão dar para se continuarem a banquetear como vinham fazendo nos últimos dias!

 

(*) Excepção para os roubos praticados pelo governo do País, os quais não consigo contornar...

 



publicado às 09:24

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