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A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A DURA REALIDADE...

Antes de mais, um conveniente ‘disclaimer’:

 

O texto que se segue não é um apelo à violência, não visa a subversão das regras do Estado de direito, nem de alguma forma pretende colocar em causa os Órgãos de Poder da nobre Nação fundada por D. Afonso Henriques no longínquo ano de 1139 após a memorável Batalha de Ourique e preservada até aos dias de hoje de forma admirável e com especial desvelo apenas com ligeiros retoques nas cores e no grafismo dos sagrados símbolos nacionais.

A minha incomensurável admiração pelos excelentes governantes de serviço, não será portanto compatível com qualquer interpretação literal do que vou escrever, sendo que a única (por mim) autorizada é de que se trata de um texto ficcional e humorístico.

Ah! e eu sou o coelhinho da Páscoa.


 

Do dia para a noite e sem que nada o fizesse prever - é quase sempre assim - vi-me 'a braços' com um volumoso jackpot do Euromilhões e ao contrário de outros excêntricos que têm passado rapidamente do estado de pré-demência festiva ao estado de completa indigência devido à imprevidente administração da fortuna caída do céu, eu corri a investir as 'paletes' de Euros na compra de uma viatura PANDUR ‘topo de gama’ no... OLX.

E não poupei na despesa: escolhi o sistema de armamento mais sofisticado do catálogo do traficante, a configuração adequada para a guerrilha urbana e tudo o mais que considerei mais indicado para levar a cabo o que a seguir vou decrever – lembro que continuamos no domínio da ficção.

 

Ao início da noite de 24 de Abril coloquei a PANDUR sobre uma daquelas plataformas rolantes com muitos pares de rodas, destinadas à movimentação de grandes equipamentos por via rodoviária. Aluguei-a ao quilómetro (e neste caso e por razões de sigilo, também sem condutor anexo) - rodar com uma PANDUR até Lisboa pela auto-estrada não seria muito seguro pois arriscava-me a apanhar com alguma 'cagadela' daqueles pássaros supersónicos que costumam 'nidificar' ali para os lados da BA 5 de Monte Real e que dão pelo nome de F-16.

 

Dissimulei evidentemente o volume - quem não vê não peca - com uma daquelas telas gigantes com paisagens deslumbrantes e pachorrentas vaquinhas a pastar inventadas por algumas Câmaras para tapar prédios em ruínas e rumei a Lisboa a tempo de chegar às imediações de S. Bento bem antes do início da manhã.

 

Comigo viajavam os meus quatro irmãos gémeos - juntos fazíamos o número mínimo necessário para movimentar a máquina do ‘juízo final’ - e logo à partida tive de dirimir o primeiro (e único) incidente resultante do facto de o mano 'número dois' ser um sacana de um pacifista que só aceitava entrar na viagem se eu municiasse o sistema polivalente de armamento com cravos de várias cores, com destaque para os vermelhos. Um bom par de chapadas cortou o mal pela raiz e reprogramou de forma rápida e eficaz o inconveniente pacifismo do 'número dois'.

 

Chegamos a Lisboa um pouco cedo e colocamo-nos a uma distância defensiva conveniente até sentirmos amainar o corre corre dos Audi e dos BMW de serviço ao transporte das sucessivas levas de cretinos e respectivos séquitos.

Serenada a lufa-lufa e silenciadas as sirenes dos motards fardados, sinal de que a encenação destinada às comemorações das quatro décadas de alegada democracia da decadente República já teria sido iniciada, lá nos aproximamos um pouco mais. O 'número quatro' foi quem emitiu opinião válida acerca da distância mais conveniente e o 'numero cinco' sinalizou no mapa o caminho de fuga antes da chegada do apoio aéreo que certamente não tardaria. 

Completados os preliminares do acto lá baixamos a enorme rampa, descendo a imponente PAMDUR até ao nível do 'alcatrão mais nobre da mourama' (?) encafuando-nos aos cinco na atmosfera confortável  do seu interior – sim, ao contrário do que aconteceu com as usadas pelo destacamento português na Bósnia e noutras paragens, eu incluí na compra o extra de um ar condicionado 'topo de gama' – e ocupamos cada qual o nosso respectivo posto.

 

Rapidamente colocamo-nos em contacto visual com o alvo, o edifício-sede do centro da corrupção do País. só nos ficou a faltar a ligação áudio.

O 'número três' incumbiu-se disso, programando o microfone direccional assistido para que assim  pudéssemos aferir do melhor momento para ‘fazer o que tinha de ser feito’.

 

Após alguns ajustes começamos a ouvir, em registo 'engana o menino e papa-lhe o pão', a voz do imóvel mais caro do País – não, não eram as paredes de S. Bento a falar com sotaque algarvio.

 

- É a hora! – gritaram em uníssono as cinco vozes – as nossas...

 

E foi assim.

 

Depois de termos despejado o stock de munições e transformado as paredes do nobre edifício em pré-escombros graças ao poder destrutivo do produto de quase um décimo do meu jackpot – este tipo de munições é caro! - deixei de ouvir o som de retorno o que queria dizer que se tinha concluído o 'DELETE' do ficheiro inútil, garantindo assim espaço para o 'UPGRADE' do novo ciclo - finalmente tinha acontecido o verdadeiro 25 de Abril, desta vez sem cravos e graças à chapada oportuna ministrada ao mano 'número dois'.

 

Porém...

 

Eis que começo a escutar em crescendo  La Traviata de Giuseppe Verdi...

 

E foi aqui que lentamente, muito lentamente mesmo, comecei a perceber que era o meu despertador - sempre com música clássica em vez do incómodo besouro - programado para as 9 da manhã por causa da sessão de hidroginástica que me impingiram para ajudar a perder volume abdominal...

 

A dura realidade afinal não se extinguiu - ainda...

 

E a possibilidade de um 25 de Abril verdadeiro continua em aberto - também ainda...

 

 

publicado às 23:21

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