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A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

"BERLINER MAUER" - 20 ANOS DEPOIS DA QUEDA...

 

No dia 27 de Outubro há 30 anos atrás, um pequeno grupo de sindicalistas ingénuos e “grávidos” de projectos futuros  – afinal a Revolução dos cravos tinha ocorrido apenas há 5 anos – acabava de regressar da então RDA, de uma acção de formação de formadores sindicais em representação da CGTP.

Eu vinha nesse grupo...

Para trás tinham ficado 45 dias de áridas teorias sobre trabalho sindical – como se aquela realidade tivesse algo de semelhante com a que por cá se vivia – empinadas com a ajuda de formadores profissionais da FDGB, a congénere da Alemanha de Leste, na Escola Superior Sindical Fritz Heckert em Bernau nos arredores de Berlim.

Muitas vezes, ao longo desses 45 dias, nas horas de lazer e nos períodos de descanso dos fins de semana, passeamos pela emblemática Alexanderplatz – a mesma onde 10 anos depois, em 4 de Novembro de 1989 haveria de ter lugar aquela inesquecível manifestação de meio milhão de Berlinenses - pela Unten den Linden  (“sob as tílias”) até às também emblemáticas Portas de Brandemburgo, convivendo com aquela medonha e aberrante obra da engenharia humana cuja construção se iniciou na madrugada de 13 de Agosto de 1961, como única forma encontrada pelos dirigentes do “Pais” artificialmente alimentado pela máquina Soviética, para travar a fuga de cidadãos para o lado ocidental e que naquele ano em pleno pico da chamada “guerra fria”, atingiu números alarmantes (para os governantes da RDA)...

Passou-nos evidentemente ao lado – porque bem disfarçado por uma informação controlada pelo Regime – o sofrimento daquele povo – irmãos, pais, avós, amigos,  viram-se a partir daquela nefasta noite de Agosto de 1961 separados por quilómetros de arame farpado e logo a seguir, por outros tantos de betão e ferro e impedidos de se visitarem, de se ajudarem, de se ampararem nas horas más ou de festejarem e se alegrarem nos dias festivos - como fazem afinal todas as famílias e vizinhos de um qualquer País normal, num mundo normal, governados por gente normal - o que não era evidentemente o caso.

Como tantos outros estrangeiros que por ali se passeavam - turistas, estudantes e outros ocasionais visitantes - aceitávamos todas as “explicações” oficiais para esta robusta linha de fronteira  "sem pestanejar" – afinal,  já muito antes de nós, os senhores do mundo livre – ingleses, americanos, franceses – tinham assimilado a “obra” , aceitando-a como uma inevitabilidade e “um mal menor” no sensível jogo da correlação de forças entre o mundo ocidental e a chamada “cortina de ferro”.

Em 27 de Outubro de 1979,  ainda por ali andávamos , já a caminho do aeroporto no regresso a casa. E se lá o muro quase nos passou despercebido, aqui chegados esquecemo-nos mesmo da sua existência com tanto que tínhamos para nos preocupar.

A verdade porém, é que ele continuou a provocar dor e sofrimento ainda por mais 10 anos, até que finalmente os seus alicerces começaram a dar de si a partir da visita de Gorbatchev à RDA no início de Outubro tendo finalmente ruído no dia 9 de Novembro, de 1989, dando início ao inevitável e há muito desejado processo de reunificação.

Na próxima segunda-feira dia 9 de Novembro, dirigentes de todo o mundo vão estar presentes naquele ponto tão emblemático de Berlim que eu tão bem conheço, para celebrar os 20 anos da derrocada histórica do sinistro Berliner Mauer.

Gostaria de poder estar lá para ver a relva, as árvores e as flores que desde então se encarregaram de tapar as marcas da divisão...

Ah! E de ver como ficou o lugar onde antes existiu  o "emblemático" e espampanante edifício do Regime - o Palácio da República - entretanto demolido, para dar início à construção do novo Palácio de Berlim...


P.S.: Este episódio da minha vida veio-me à memória, depois de ver esta notícia sobre a deslocação de Sócrates à Alemanha para as comemorações: Uma boa oportunidade (digo eu) para se libertar durante algum tempo do "pântano" que o rodeia e no qual estranhamente, o risco de se "afogar" aumenta na directa proporção em que a (sua) "face oculta" vai emergindo...

 

 

 

 

publicado às 21:51

AS "ASPAS" DA DEMOCRACIA - Take 2

Recebi hoje um comentário de blogueoliveiramartins a um dos meus post - As "ASPAS" DA DEMOCRACIA - publicado aqui e também aqui.

Ora bem... vamos lá esclarecer algumas dúvidas:

Eu critico - às vezes apetece-me mesmo zurzir - esta "democracia" que aceita ser controlada por "democratas" como Sócrates, Jaime Gama, Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues e outros, que por cá andam, já andaram, ou pensam ainda andar e que deixam sempre atrás de si um odor tão intenso de "Freeport", "Cova da Beira" "Pedofilia" que os topamos à distância! (Antes que me esqueça, quero aqui deixar bem destacado o necessário "Disclaimer": não os acuso de nada porque não tenho provas que me permitam fazê-lo e mesmo que acusasse, seriam sempre inocentes até prova em contrário, com a respectiva condenação e trânsito em julgado, blá, blá, blá...) 

Critico ainda, alargando os horizontes para lá do "rectângulo",  a "democracia" da nossa velha aliada Inglaterra, onde os "democratas" que a governam, usam os dinheiros públicos para comprar sofás de massagens, alugar filmes pornográficos, comprar aparelhagens sofisticadas de home cinema.

Critico também os  "democratas" como Sílvio Berlusconi de Itália, que arrebanha todas as modelos bonitinhas que consegue, para a sua lista de candidatura ao Parlamento Europeu, ainda que no que toca a "cérebro", a maior parte delas o possua tão minúsculo como o dele próprio.

Mas quando critico tudo isto e muito mais,  o que eu pretendo é mais Democracia, nunca o regresso a um passado de má memória - nem a novos Salazares, Marcelos ou quejandos, nem tampouco o retomar de ideias sobre a restauração do Império ou outras patacoadas neocolonialistas que não interessam "nem ao menino Jesus".

É que eu, que tenho 61 anos, fiz a guerra colonial e por isso posso falar do que foi com conhecimento de causa!

Em 27 de Julho de 1970, ia eu a bordo do velhinho paquete Niassa em pleno alto mar como furriel miliciano,  a caminho de Moçambique, quando a Rádio Conacri deu em primeira mão a morte do ditador.

Juro que não ouve consternação a bordo!

Chegados à guerra - Provincia de Cabo Delgado - tive oportunidade de conhecer por dentro, ao longo dos 28 meses que aí permaneci, o que era o colonialismo português.

Dou apenas em rápidas pinceladas, dois pequenos exemplos:

1.  O Nunes, famoso caçador de elefantes, com a ajuda do seu "exército" de caçadores armados com as mais modernas armas de caça levava a cabo uma autêntica razia nas manadas de elefentes, para lhes extrair as presas e as centenas de toneladas de marfim que representavam e que anualmente exportava para as brancas e civilizadas metrópoles que lhas pagavam a peso de ouro.

Porque a Frelimo o ameaçava - não por nenhuma preocupação especial com os bichos que ele dizimava, mas pelo roubo que levava a cabo - havia sempre um pelotão das várias companhias estacionadas na zona, que rotativamente lhe assegurava a protecção - com todo o conforto possível e todas as "mordomias" diga-se, desde um confortável acampamento com água quente, cerveja refrigerada, carne fresca em abundância entre outras!

2.  Nas localidades onde existia população civil, destacava-se a sinistra figura do Administrador, com o seu grupo de "cipaios" - espécie de milícia local arregimentada e mantida fiel e controlada, à custa de um salário miserável e algumas benesses e com a qual levava a cabo autênticas tropelias entre a pobre população indefesa.

Como é sabido, naquele tempo prosperavam em Moçambique algumas grandes companhias de exploração do algodão, as quais, sobretudo na altura da colheita, necessitavam de uma grande quantidade de mão de obra - barata se possível, mas se fosse "escrava" melhor ainda.

Como homem de mão das grandes companhias, o Administrador tinha uma forma habilidosa e suigéneris de conseguir o número de braços que lhe pediam: Fazia publicar uma espécie de "Edital" em que dava um período de tempo - suficientemente curto para não poder ser cumprido - para que os donos das palhotas procedessem à sua cobertura com capim novo.

Findo o prazo, mandava os "Cipaios" prender os incumpridores e aplicava-lhes uma multa, que por não poderem pagar, ele transformava em dias de trabalho gratuito (escravo) na colheita do algodão.

Portanto, meu caro amigo Oliveira Martins, eu não gosto de Ditaduras - sobretudo das que não têm "aspas" quase pelas mesmas razões porque não gosto das "democracias" a fingir!

Mas agradeço a sua visita e apesar de não concordar com parte do conteúdo dos seus post, gosto da maneira como escreve e partilho do seu ponto de vista "poético" em relação à figura ridículo/patética do padre Melícias ...

 

publicado às 12:34

DEMOCRACIA DIRECTA...

A actual “solução” democrática com base na estrutura corrupta e viciada dos Partidos políticos tal como os conhecemos actualmente, parece ter-se esgotado irremediavelmente, enredada na própria teia tecida pela sua inépcia.

Começam afazer-se ouvir cada vez mais, as vozes dos que reclamam a Democracia Directa. E nem sequer é preciso alargarmo-nos em grandes explanações sobre os princípios básicos que devem orientar a mesma: Tão somente directa e ponto final.
Não adianta pois, continuarmos à procura de “diferenças significativas” a nível da estrutura dos actuais Partidos, que nos permitam validar na nossa própria mente o adiamento da necessária – e à muito justificada – “acção declarativa” de falência do modelo existente. Elas (as tais diferenças) pura e simplesmente não existem, pese embora pontuais e ínfimos pormenores  de sentido contrário… Basta atentarmos por exemplo, na concordância de posições quando o que está em causa são os respectivos privilégios e as mordomias  - financiamento dos Partidos, faltas dos Deputados, etc.
Chega pois de Status quo: Seleccionar,Delete!
publicado às 13:22

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