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A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A TERRA COMO LIMITE...

UM ESPAÇO ONDE ESCREVEREI SOBRE TUDO, SOBRETUDO, SOBRE TUDO QUE SEJA CAPAZ DE CAPTAR A MINHA ATENÇÃO. UM ESPAÇO ONDE O LIMITE NÃO LIMITA - APENAS DELIMITA.

A LEBRE REFUNDADORA...

 

D. Januário Torgal Ferreira mais uma vez 'sem papas na língua'!

Ele é uma voz incómoda no seio de uma igreja (incluindo o seu Cardeal Patriarca) demasiado comprometida com este poder iníquo que nos governa, mas que apesar disso, sem dar origem a nenhum cisma, consegue traduzir o sentimento crítico de todo um Povo em revolta.


Foi hoje no Jornal da Manhã da TVI a propósito da vilania desta governação, que faz previsões diárias e que diariamente as 'corrige' - obviamente no pior sentido.

Anunciam-se objectivos com base em 'modelos à escala'- aquela com que trabalham 2/3 dos idiotas da Tróika que por aí circula qual lobo no interior do redil (quem é que disse que o FMI era o pior de todos os males? É que neste momento ele consegue a proeza de ser um 'factor de equilíbrio' no meio daqueles mentecaptos todos) e depois, reformula-se a escala 'refunda-se' a matemática, martelam-se os números à custa de sucessivos enxertos arrancados à magreza da carne do Povo faminto e carente de quase tudo, para que no fim de tudo, tudo se equilibre - ou não!


"Estabelecem-se horizontes e depois as pessoas olham para a esquerda e para a direita e são surpreendidas por uma 'lebre'  que de repente quer refundar tudo (eu acho que D. Januário aqui, confundiu as espécies cinegéticas e se queria referir à que é designada por 'Orictolagus' a que pertence o Coelho europeu)

A interpretação é minha, mas ao falar na 'refundação' inventada pelo Oryctolagus de Portugal saída talvez de uma noite de copos com o 'ideólogo' do governo, mestre em várias ciências, incluindo doutorais equivalências e que tal como Sócrates, o dispensaram da maçada de romper os fundilhos pelas cadeiras universitárias, perito em privatizações e também conhecido (no Brasil) como 'o amigo português'D. Januário estava seguramente a referir-se ao roubo, aos assaltos aos subsídios e às indemenizações por despedimento sem justa causa, à transformação radical de toda a legislação de trabalho que permita acabar definitivamente com os contratos sem termo, passando todos os trabalhadores, por uma 'questão de justiça' à situação de precários.


Desgraçado País este governado por esta cáfila, esta nova 'mafia lusitana' profundamente empenhada em mudar a terminologia dos conceitos legais, julgando que por essa via e num simples passe de mágica, todos estes roubos deixarão de o ser: riscam a palavra (roubo) substituem-na por outra ('refundação) que por enquanto apenas existe no dicionário privativo da 'coelheira nacional' e pronto - julgam eles - caso resolvido!

Nada mais enganador e o que ontem aconteceu em frente à Assembleia da República começa a indiciá-lo.


E não adianta que o ministro do Norte com casa em Lisboa e a receber subsídio de residência venha dizer que se tratou de acções de meia dúzia de profissionais da violência! 

Pareceu-me uma meia dúzia grande demais e também deu para ver, que (ainda) existem polícias que aceitam ser 'a voz do dono', carregando indiscriminadamente sobre o seu Povo - os que atiravam pedras e aqueles que apenas gritavam a sua revolta, os que tinham um comportamento menos adequado e aqueles que apenas faziam uso do seu direito à revolta.


Estes polícias esquecem-se que tal como aconteceu com os seus antigos 'colegas' da PIDE, o Povo terá para eles no momento adequado - e talvez mais próximo do que pensam - um tratamento eventualmente equivalente ao que agora adoptam, quiçá até um pouco mais musculado. Depois não se queixem nem chamem pelos colegas mais comedidos, pois pode bem acontecer que já se tenham passado para o lado certo da barreira!

publicado às 08:30

'BEM AVENTURADOS' OS POBRES DE ESPÍRITO...

São católicas todas as minhas raízes, são católicos praticantes todos os meus mais próximos, eu próprio noutros tempos me envolvi numa certa ala activista da Igreja católica - a JOC e depois a LOC - colaborei com o pároco da minha terra na animação da missa dominical, na participação nos grupos de jovens, etc.,  mas neste momento, se alguma chama me animasse ainda nessa área, se porventura ainda tivesse algum activismo organizado - nas várias frentes que a Igreja ainda vai conseguindo manter em Portugal - estaria como é costume dizer-se, 'a rasgar o cartão', depois de ouvir D.José Policarpo a falar sobre o que não deve e a não dizer nada sobre o que deve.

 

No fundo, juntou-se ao coro de imbecis que nos desgovernam, quando proferiu ontem em Fátima, palavras insensatas que nunca imaginei ouvir da sua boca - eu que o considerava um homem de opinião, um homem de sensatez consolidada, um homem que não se limitasse a alinhar pela opinião oficial - engrossando o grupo dos imbecis que destroem a nossa Pátria por dentro e nos tentam convencer em cada dia, em cada minuto, em cada segundo, que não existe outro caminho, que não há espaço para a indignação, que lutar é coisa de outros tempos e anti constitucional, não deixando nem uma palavra de conforto e de solidariedade para as suas 'ovelhas' que sofrem!

 

Fraco pastor este que abandonando que o rebanho para se juntar aos lobos, corre o risco de um dia destes olhar para o lado e já não avistar nenhuma das ovelhas por terem sido todas dizimadas ou simplesmente 'emigrado' por instinto de defesa...

 

Ficamos zangados quando os homens imbecis proferem imbecilidades, mas ficámo-lo mais ainda quando elas nos chegam da parte de homens inteligentes, homens de ciência como eu considerava D. José Policarpo! - considerava, porque acabei de o adicionar à manada de imbecis que andam por aí a agredir o País, exibindo uma opulência ostensiva de meios que são pagos por todos nós, depois de o ouvir dizer ontem em conferência de imprensa, que não é com manifestações de descontentamento na rua, com protestos, com o exercício de um dos mais elementares direitos em Democracia, o direito à indignação, sobretudo aquela mais genuína e mais pura, não organizada por grupos de influência - que obviamente também têm todo o direito a promovê-la! - que se resolvem os problemas. Aliás, ele faz pior: considera que põem em causa a nossa Constituição e que acredita que as medidas de austeridade são necessárias e vão resultar!

 

Vale a pena abrir o link que remete para o PÚBLICO e para as suas declarações.

 

O homem foi claramente 'além da chinela' e nem me atrevo a reproduzir o role de imbecilidades que proferiu!

 

Desrespeitando e ofendendo os que sofrem, recuou em certa medida e salvaguardando apesar de tudo algumas diferenças de contexto, até aos tempos tenebrosos de má memória da Igreja da Inquisição: investido das funções que detém na hierarquia, criticar os que lutam contra a opressão é meio caminho andado para começar a denunciá-los do alto do púlpito ao poder iníquo que arranjará seguramente 'masmorras' bastantes para enfiar o tal 'poder da rua' que que não agrada a José Policarpo. Não sei como é que não tem a dignidade de despir a batina da Igreja dos pobres e oprimidos que vestiu seguramente por engano e envereda por um fim de carreira na política, quiçá como ministro das finanças!

 

Na génese da Igreja Católica estiveram sempre os mais pobres entre os pobres e por isso é que (ainda) assinala algumas excepções relevantes de alguns dos seus santos, oriundos de famílias abastadas, mas que resolveram fazer uma opção de pobreza para engrossar o número daqueles que lutavam por um mundo melhor e ajudá-los nesse percurso difícil.

 

José Policarpo foi hoje a excepção contrária - um novo Cerejeira sem Salazar mas com um Coelho saído da cartola da senhora Ângela Merkel que nos visitará brevemente e que seguramente lhe virá beijar o anel cardinalício em sinal de agradecimento por este acto de pura bajulação ao poder, enquanto este investe com toda a violência sobre os oprimidos.


Já não temos a PIDE mas continuamos a ter muitos carrascos e ele usou o 'púlpito' do seu estatuto para sinalizar aqueles cuja execução há-de ser levada a cabo pelos mesmos!

 

publicado às 11:28

TALVEZ A IGREJA CATÓLICA AINDA TENHA FUTURO - COM HOMENS DESTES...

D. JANUÁRIO TORGAL FERREIRA: “Tenho vergonha do meu País”

O bispo das Forças Armadas acusa o governo de falta de sensibilidade e de incompetência diante da multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade e do respeito por elas próprias. E diz que não quer ser cúmplice.

Numa entrevista ao jornalista Manuel Vilas Boas, da TSF, o bispo, diz não querer ser cúmplice com “esta multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade, do respeito por elas próprias”, elogia a esquerda e acusa o governo de falta de sensibilidade e de incompetência.

E afirma que hoje em dia, uma pessoa que toca em aspectos sociais é alguém que é de esquerda. “Mas então honra seja feita à esquerda”, afirma, apontando que há muitos comunistas que são mais católicos que muitos católicos”. E questiona: “porque é que só em momentos eleitorais se vai para as feiras? Se vai para os banhos de multidão e se dá beijinhos em gente mais simples?”


Não está ainda tudo perdido, enquanto existirem Homens como D. Januário, Bispo das Forças Armadas, D. Manuel Martins, antigo Bispo de Setúbal e mais uns quantos Homens com H Grande, com voz no seio da Igreja Católica portuguesa.

De facto, a Igreja dos pobres, dos desfavorecidos, dos despojados de quase tudo e agora até da própria dignidade como seres humanos, é a única herdeira dos valores, que nos diz a história, eram defendidos por Cristo.

A Igreja da opulência, da corrupção, do alinhamento com os homens pequenos da pequena política, essa enveredou desde há muito por um comportamento autofágico que a não conseguir reverter, a fará caminhar a passos largos rumo à vala comum da qual a história nada contará daqui a umas quantas dezenas de anos.

Pureza de princípios, voz descomprometida capaz de proferir as verdades mais incómodas, é o único caminho de salvação possível para a nova Igreja de Cristo. Não nos esqueçamos que ele próprio escolheu ser homem entre os mais humildes e viver as suas próprias dificuldades - mas nunca de forma passiva ou subserviente!

Portugal é inegavelmente um País de maioria católica e por isso tem necessidade como do pão para a boca, do contributo desta nova Igreja e que da sua linha sucessória livre de pecado - em termos de princípios - se destaquem muitos Homens como estes, que com a sua legítima e bem-vinda voz influente, sigam o exemplo do Mestre e ajudem a correr com os "vendilhões do templo".

 

publicado às 23:57

"NÃO ROUBARÁS"!


 

 

Onde há riqueza e opulência, há sempre o risco da atracção fatal pelo vil metal se sobrepor ao respeito que é devido às leis dos homens - sim porque também nessas, existe uma imposição clara: "não roubarás". No caso em apreço, o relevo da notícia deriva sobretudo, da tentação de alguns, quiçá os mais insuspeitos, se ter transformado em crime num contexto onde comulativamente, eles são "homens de Deus" e principalmente, pela proveniência dos bens materias que ali são administrados tornar o crime ainda mais revoltante... 

Para quem eventualmente andasse distraído, convém lembrar que o Vaticano é um Estado enquistado num outro que também não tem primado ao longo dos anos, pela predominância de homens sérios na sua administração - o Estado italiano.

Portanto, o que torna esta notícia diferente de todas as que no dia a dia versam o mesmo tema da corrupção, é o facto de no Vaticano pontificar um poder que teoricamente deveria ser também diferente - homens de Deus que em tese, deveriam estar menos sujeitos às tentações do... vil metal - e isso devia fazer toda a diferença.

Não fez.

Como também não fez na maneira como os altos dignitários, nomeadamente Bento XVI, agiram perante a descoberta: exactamente como os governantes corruptos dos Estados corruptos, isto é, tentando encobrir o pecado e afastando D. Carlo Viganò que escreveu uma série de cartas a Bento XVI, e que eram documentos secretos mas que acabaram por ser divulgadas no início deste mês, o que levantou a suspeita de que, ao ser nomeado Núncio nos EUA, em Outubro de 2011, o arcebispo teria sido ‘corrido' do Governo do Vaticano por ter colocado o dedo na ferida da corrupção.

Claro que isto apenas surpreende genuinamente os mais ingénuos, porque a esmagadora maioria dos católicos, já há muito que sabem - ou desconfiam - que o pecado não á apanágio dos descrentes ou dos fiéis de outras fés concorrentes...

publicado às 12:11

MULHERES P'RA CASA JÁ! - DOM MANUEL MONTEIRO DIXIT...

 

 

Bem aventurados os pobres de espírito, porque é deles o... barrete cardinalício!

Teoricamente, como portugueses esta "promoção" a uma patente mais elevada, deveria deixar-nos - independentemente de credos ou devoções - algo orgulhosos.


Teoricamente, no topo de uma das instituições mais poderosas do mundo actual - a Igreja Católica -  deveria estar um homem sábio, capaz de saber rodear-se de outros homens sábios - mesmo que portugueses, onde a este nível e nesta área, eles não abundam.


Teoricamente, o mundo que vemos com os nossos olhos de humanos, deveria ser bem melhor se toda esta gente importante que supostamente está ao serviço de um Deus de bondade, não enveredasse por práticas às vezes tão antagónicas em relação às pretendidas pelo Criador.


Mas isso já nós sabíamos e por isso, é que cada vez nos vemos mais acompanhados na desilusão perante uma PRÁTICA que não coincide com a IDEIA e que nos levou inevitavelmente a demarcarmo-nos do indisfarçável embuste! E até já tínhamos desistido de colaborar no tempo de antena de determinados teólogos bem falantes, mas pouco iluminados, a quem a Comunicação Social (ainda) vai concedendo pequenos momentos de glória. Falar sobre eles, perder tempo com eles, é colaborar da difusão da "palavra errada".


Mas este "santo homem" passou das marcas e não há "orgulho patriótico" capaz de resistir a tanta insanidade sem um comentáriozito - modesto que seja - mas que sinalize a burrice.

O meu não pode ser mais simples e tem a ver com publicidade:

Prefira sempre produtos portugueses! (Excepto se forem... cardeais). Neste caso, redobre a sua atenção e à menor dúvida... rejeite

 

 

publicado às 21:33

A "OFFSHORE" DO VATICANO...

 

Porque o mal pode espreitar "à esquina da rua" mais improvável, talvez valha a pena ler (sem qualquer reserva mental) este artigo e mais tarde, o livro a que faz referência - "Vaticano S. A" de Gianluigi Nuzzi...


 

Obra de jornalista italiano revela os esquemas corruptos que se escondem sob a gestão financeira da Santa Sé

Num cruzamento, perto de uma auto-estrada, do cantão suíço de Ticino, uma camponesa idosa guardava na sua cave duas malas Samsonite cheias de papéis arrumados em pastas de cartolina amarela. Durante quase trinta anos, recebeu aquelas pastas, sem nunca saber que o que guardava eram documentos que abriam a porta para um dos segredos mais bem guardados do mundo: as finanças do Vaticano.

No Verão de 2008, coube a um jornalista italiano da revista Panorama, Gianluigi Nuzzi, ir buscar estas malas que continham o arquivo secreto de monsenhor Renato Dardozzi, que, entre 1974 e o final da década de 90, foi uma das figuras mais importantes do Instituto das Obras Religiosas (IOR), o banco do Vaticano. Dardozzi, falecido em 2003, manifestou no seu testamento a vontade de tornar públicos estes documentos. Foi a partir deles que o jornalista escreveu o livro Vaticano S. A., que veio agora apresentar a Portugal.

Esta obra, frisa Gianluigi Nuzzi, "não é mais um livro de teorias da conspiração mas o resultado de uma investigação de dois anos, em que todos têm nomes e tudo o que é dito é baseado em provas e não em fantasias".

Na sala de um hotel de Lisboa, o jornalista lembra os meses passados numa sala "pequena, abafada, sem ar condicionado nem casa de banho", a percorrer "um labirinto de cerca de cinco mil documentos que reconstroem, a partir do interior do Vaticano, acontecimentos financeiros duvidosos, ligações inquietantes à Mafia, a Giulio Andreotti (dirigente da Democracia Cristã italiana) ou ao sindicato polaco Solidariedade.

Monsenhor Renato Dardozzi tinha acesso aos círculos mais restritos e fechados da Santa Sé, às saletas de "portas duplas, onde se edificavam operações financeiras arrojadas, onde se abafavam escândalos, ou se afastavam pessoas", explica Nuzzi. Os documentos que Dardozzi guardou provam que "o Vaticano funciona como uma offshore. Para lá da Colunata de São Pedro e sob a capa de obras de bem, cometem-se crimes financeiros e não só".

Este livro dá conta dos acontecimentos que se seguiram aos escândalos do banco Ambrosiano e da Banca Privata Italiana, bem como às mortes misteriosas das figuras de proa dessas instituições Michele Sindona e Roberto Calvi, ou ainda a de Albino Luciani (Papa por 33 dias). Pois, como explica Nuzzi, estes escândalos não impediram que o Vaticano prosseguisse com "manipulações políticas, subornos, pagamentos a políticos corruptos e elementos da Mafia, burlas e até mesmo um elaborado sistema de lavagem de dinheiros, só possível porque o Vaticano é um Estado com leis e um estatuto próprios. É um mundo inexpugnável em pleno coração da Europa".

Em Vaticano S. A., pessoas, instituições de caridade, fundações (como a Fundação Spellman, que faz a gestão dos dinheiros de Andreotti) vão entrando e saindo de cena como se de um palco de teatro se tratasse. Cruzam-se relações de poder de indivíduos e grupos interiores e exteriores à Santa Sé.

Há, porém, um que sem aparecer está omnipresente em toda a narração: Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II. O jornalista reconhece que " Wojtyla era apenas a cúpula de uma gigantesca engrenagem que ele não controlava. Até porque no Vaticano "a verdade nunca é só uma", afirma Gianluigi Nuzzi.

publicado às 16:13

O VATICANO E AS DIATRIBES DO COSTUME...

Tivesse o artigo que se segue sido escrito por qualquer católico anónimo e nada teria a dizer àcerca do seu conteúdo ou oportunidade.

Tal como aquele a quem o artigo pretende atingir sempre defendeu consequentemente, o direito à opinião livre é isso mesmo um direito inalienável.

José Saramago era polémico? Pois era! Mas  também directo e frontal e não um qualquer escrevinhador "manga de alpaca", que na penumbra, escondido do mundo e dos olhos críticos das pessoas a quem se dirige, vai garatujando umas coisas quaisquer sobre qualquer coisa ou sobre uma qualquer pessoa, usando uma tribuna paga por um qualquer grupo, a expensas dos generosos e anónimos contribuintes que com os seus óbolos, as suas esmolas e os seus donativos o vão alimentando.

L'Osservatore Romano - o Órgão oficial da Santa Sé - ao escrever hoje o que escreveu sobre José Saramago - no dia do seu enterro - colocou-se ao nível de um qualquer e ignóbil pasquim, esquecendo aliás os mais elementares e genuínos princípios da piedade Cristã - até porque, segundo esses mesmos princípios "a morte mais não é do que uma nova forma de vida" e o momento da "passagem" é por vezes tão intenso e transcendente, que reconciliações verdadeiramente improváveis que ninguém pode em boa verdade testemunhar ou negar, podem sempre ocorrer...

Mas também não se pode esperar demasiada generosidade  de uma Igreja que enquistou há demasiado tempo num silêncio cúmplice em relação a tantas e tantas opressões: O tempo demasiado que levou a reconhecer - e mesmo assim sem grande convicção - o hediondo comportamento que teve na altura da "Santa Inquisição", o colaboracionismo que ao longo de muitos anos sempre patenteou com tantos regimes totalitários, a ignóbil teia de "solidariedades" com que protegeu - activamente nalguns casos e passivamente em muitos outros - bandos de padres pedófilos, alguns verdadeiros predadores sexuais espalhados por todo o mundo Católico e que só muito recentemente e a muito custo e porque a situação se tornou demasiado gritante e incómoda, é que motivou um tímido pedido de perdão por parte do Papa.

Mas esta tremenda diatribe do L'Ossevatore Romano, tem além do mais a enorme inconveniência da inoportunidade: Teve tantas oportunidades de atacar José Saramago em vida, que escolher a hora em que ele não lhe pode responder é verdadeiramente condenável. Ainda bem que essa a idiotice que grassa pelas sacristias de Roma não alastrou à Igreja Católica portuguesa.

Na hora da morte - seja quem for que tenha morrido - exige-se contenção, discrição, recolhimento, ou no mínimo, RESPEITO!

A ignóbil notícia é a que se segue:


Jornal do Vaticano define Saramago como “populista e extremista”

Um dia depois da morte do Nobel da Literatura de 1998, o diário da Santa Sé publica um obituário intitulado “A (presumível) omnipotência do narrador”, assinado por Claudio Toscani. “Foi um homem e um intelectual de nenhuma admissão metafísica, ancorado até ao final numa confiança arbitrária no materialismo histórico, aliás marxismo”, lê-se no artigo.
“Colocado lucidamente entre o joio no evangélico campo de trigo, declara-se sem sono pelo pensamento das cruzadas ou da Inquisição, esquecendo a memória do ‘gulag’, das purgas, dos genocídios, dos ‘samizdat’ culturais e religiosos”, acrescenta.
O texto passa em revista a produção literária do escritor português, qualificando o romance “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991) de “obra irreverente” que constitui um “desafio à memória do cristianismo”.
“Relativamente à religião, atada como esteve sempre a sua mente por uma destabilizadora intenção de tornar banal o sagrado e por um materialismo libertário que quanto mais avançava nos anos mais se radicalizava, Saramago não se deixou nunca abandonar por uma incómoda simplicidade teológica”, escreve Toscani.
“Um populista extremista como ele, que tomou a seu cargo o porquê do mal do mundo, deveria ter abordado em primeiro lugar o problema das erróneas estruturas humanas, das histórico-políticas às socio-económicas, em vez de saltar para o plano metafísico”, acrescenta.
O artigo afirma que Saramago não devia ter “culpado, sobretudo demasiado comodamente e longe de qualquer outra consideração, um Deus no qual nunca acreditou, através da sua omnipotência, da sua omnisciência, da sua omniclarividência”.


Consequente com aquela que tem sido a sua práxis a Igreja Católica juntou mais um "contributo" para o esvaziamento das igrejas e o alheamento dos católicos relativamente àquilo que defende - ou diz defender.

Quando resolve centrar o essencial dos seus esforços no combate das ideias - ainda que na sua perspectiva criticáveis - como fez com José Saramago e não nos actos criminosos em relação aos quais nos atordoa com o seu silêncio, escolhe obviamente o caminho errado:

As ideias, porque permitem o contraditório, nunca provocam danos irreversíveis. Já a protecção e a solidariedade para com os criminosos, o silêncio ou mesmo a conivência em relação a práticas como a pedofilia, os atentados aos direitos humanos mais elementares, o genocídio, essas sim são escolhas que afastam, que causam repulsa, que revoltam e que dão força àqueles que defendem uma atitude para com a Igreja Católica idêntica à que ela adoptou no tempo da Inquisição...

publicado às 11:13

PENITÊNCIAS - PARA QUEM AS MERECE!

Papa apela à penitência perante pecados da Igreja
O Papa Bento XVI admitiu esta quinta-feira que perante "os ataques do mundo", os cristãos devem fazer penitência pelos seus pecados.


Mau!

Mas quais cristãos e quais pecados, ou o "diabo a quatro"!

Eu cá, não vou fazer penitência nenhuma e também não concordo com penitências dessas cá em casa!

Por aqui, somos todos gente com mentes saudáveis e nunca deturpamos o verdadeiro sentido das palavras de Cristo quando disse "deixai vir a mim as criancinhas".

A nossa forma de gostar de criancinhas - e gostamos de facto muito - não é social nem legalmente condenável e mesmo que metêssemos Cristo no assunto Ele não teria nada a apontar-nos - nesse campo, obviamente, que em tudo o resto, pecamos como toda a gente!

Por isso, acho muito bem que façam penitência, mas para que "não pague o justo pelo pecador" convém "chamar os bois pelos nomes"!

publicado às 16:26

GOVERNO DE "PUXA-SACOS"!

Li AQUI que vai haver tolerância de ponto no próximo dia 13 de Maio... Não! Não é por ser o primeiro dia da primeira das "aparições" de Fátima! Tampouco tem a ver com qualquer tradição de honrar as visitas de Chefes de Estado mais ou menos ilustres, com a concessão de um dia de descanso aos funcionários públicos - ainda que neste caso, o visitante ilustre seja o Chefe da toda poderosa Igreja Católica! Aliás, se nos cingirmos a este enquadramento específico - a visita de Ratzinger - vislumbro por parte deste governo de pseudo-laicos, um tratamento estilo "puxa-sacos" verdadeiramente deplorável e ainda por cima, de injustificado privilégio relativamente a outros Papas que nos honraram com a sua visita.

Esperemos ao menos que a contribuição que o governo em bicos de pé anuncia "à Cidade e ao Mundo", sirva - por linhas travessas - para engrossar o número de vozes críticas que seguramente se farão ouvir à passagem deste Papa que assiste a uma das maiores crises que a sua Igreja alguma vez já viveu num silêncio pusilânime - ou pior, lamentavelmente cúmplice.

Como aconteceu com Pedro - "(Mt 26:74-75) Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou. Então Pedro lembrou-se das palavras que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás." - também este Papa, sempre que se recusa a ouvir os gritos das vitimas da pedofilia no seio da Igreja, sempre que, ainda que por simples omissão contribui para aumentar a revolta que ameaça a solidez dos seculares alicerces da igreja de Cristo que jurou defender, está a negar esse mesmo Cristo...

Pode ser que no próximo dia 13 de Maio, interrompendo os discursos de circunstância que o Papa irá proferir e que seguramente irão omitir o PROBLEMA do momento da sua Igreja, ouçamos - límpido, provocador, desalinhado do contexto - o canto estridente de um qualquer galo do nosso burgo

publicado às 20:53

D. TARCÍSIO BERTONE DIXIT...

 

D.Tarcísio Bertone é "só" o número dois do Vaticano e essa posição na hierarquia deveria remetê-lo obrigatoriamente para um registo mais responsável, mais comedido, menos desbocado e mais de acordo com os reais interesses da grande massa de católicos espalhados pelo mundo inteiro que neste momento se sentem aviltados e desonrados com o comportamento de uns quantos no seu seio, que valendo-se de uma posição privilegiada no interior do redil a usaram para atacar as ovelhas mais frágeis do rebanho.

Com as declarações proferidas, D. Tarcísio preferiu o papel do pirómano ao do bombeiro eficiente e responsável que tenta por todos os meios ao seu alcance, minimizar os danos e controlar o alastramento do incêndio que já atinge vários continentes.

As suas palavras insensatas, longe de funcionarem como agente retardador, assemelham-se mais ao balde de gasolina despejado na periferia do incêndio no sentido de promover o seu alastramento a áreas ainda não atingidas.

Numa fase em que os meios terrestres ainda acreditavam ser possível evitar que os vários focos se pudessem transformar em catástrofe eis que surge D. Tarcísio, qual dragão lança-chamas, a pôr tudo em causa!

Por este andar, ou os católicos fazem como os congressistas do PSD impondo a lei da rolha a alguns dos seus dirigentes mais incontinentes, ou não irá demorar muito até que o incêndio seja declarado como incontrolável...

Claro que existe sempre a possibilidade de os católicos que não se revêem neste tipo de comportamentos, solicitarem a intervenção dos "meios aéreos" controlados pelo Bombeiro-Mor. Se isso vier a suceder, esperemos que Ele não se limite a apagar o incêndio e apague também os incendiários - para prevenir de vez os mais que prováveis reacendimentos...

 

publicado às 15:10

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