VALONGO (E ALFENA) DO 'NOSSO DESCONTENTAMENTO'...





Nesta publicação, em que me coloco no papel de autor e não de actor, pretendo que seja, apenas e só, um registo para ‘memória futura’, sendo que, por vontades alheias que não a minha, muitos ‘especialistas’ não deixarão de ‘ler’ e ‘adivinhar’ nas entrelinhas outras intenções. Problema deles que não meu...
E não, não se trata de qualquer abordagem exploratória para uma futura adesão ao PSD!
“Tomar partido” deve ser entendido, portanto e apenas, no sentido figurado do termo e os registos fotográficos que acrescento, relacionados com o evento a que ontem assisti, com muita honra e que teve lugar no nosso Centro Cultural que rebentou pelas costuras, pretendem fazer o contraponto qualitativo/quantitativo com idênticas iniciativas de sinal oposto, na paupérrima concorrência local.
(Parêntesis para dizer aos que não me conhecem assim há tantos anos, que se eu estivesse a usar o termo ‘tomar partido’ no sentido literal e não figurado, esse partido não seria sequer de âmbito nacional e teria como sigla, na versão historicamente honrosa e datada dos seus últimos anos de existência, o partido único de governo do vastíssimo conjunto de Repúblicas, agora Nações independentes e a sua sigla de então- Partido Pomunista da União Soviética (PCUS) - em russo КПСС ou KPSS.
Teria como líder máximo, essa figura historicamente tão injustiçada mas inegavelmente relevante para o mundo civilizado que foi Mikhail Gorbachev - 1931/2022.
A sua Perestroika foi uma ideia/conceito que trouxe ao mundo livre e democrático uma nova esperança numa vida melhor, onde os cidadãos pudessem sonhar (e tornar realidade, como foi o caso dos berlinenses de leste, em 1989, com a demolição estrondosa dessa vergonhosa e sinistra construção de betão e arame farpado que dividiu a grande cidade de Berlim em dois territórios inimigos: a parte ocidental, como cidade da RFA e a parte oriental, como capital da RDA (1961/1989).
O sonho de Gorbatchev teve uma vida relativamente curta. Foi bom enquanto durou mas a chama que o alimentou foi esmorecendo até se extinguir - porque os saudosistas do passado sinistro que Gorbatchev ousou enfrentar não se pouparam a esforços para que o mesmo fosse lentamente restaurado a partir de novas versões, quiçá mais elaboradas, mas igualmente sinistras e perigosas.‘Novos muros foram projectados e erigidos, novas cortinas de ferro foram construídas e a ‘guerra fria’, os ‘gulags’ e as ‘primaveras de Praga’ desta vida foram sendo substituídos por versões contrafeitas e apelativas e sempre vendidas como autênticas. É nesta fase que estamos. Fechar parêntesis).
A minha Cidade (Alfena) e o meu Concelho (Valongo) vão a eleições em Outubro, tal como o resto do País, sendo a candidatura do PSD (coligação AD) encabeçada em Alfena e Valongo, por Sérgio Sousa e Hélio Rebelo, respectivamente.
São duas pessoas que conheço bem e relativamente às quais não me envergonho de ser amigo.
O Sérgio, conheço-o de outros combates e também, por fazer parte há vários anos, tal como eu, dos Corpos Sociais da Associação Al Henna, uma Associação dedicada ao levantamento, promoção e defesa do nosso Património edificado, cultural, ambiental e histórico e tão inexplicavelmente esquecida e ostracizada pela maioria absoluta socialista – da Câmara e da Freguesia também.
O Hélio, conheço-o de outras lutas – desde a governação anterior do PSD. Estivemos em lados opostos da política - democraticamente opostos, evidentemente - e é daquele tipo de pessoas das quais não me envergonho de ter como amigo. Em todos os partidos políticos existem boas, menos boas e más pessoas. O Hélio, nas várias funções que desempenhou até agora ao nível da política local em representação do seu Partido, sempre dignificou a função e sempre contribuiu de forma positiva para a dignificação do Poder Local democrático – ao contrário de certa ‘concorrência’, teoricamente e alegadamente mais próxima das ideias de Abril com as quais seria suposto eu identificar-me também.
Muito e apenas "teórica e alegadamente", diga-se...
Quer ao nível do Município quer ao nível de Alfena – mas também na restantes freguesias – o poder bateu, mesmo, no fundo:
- No Município, o paradigma da corrupção, do amiguismo e da incompetência a que o PS de José Manuel Ribeiro e de Paulo Ferreira juraram em 2016 que iriam combater e erradicar, esse paradigma nunca foi sequer interrompido, combatido ou erradicado, mas antes pelo contrário, ele foi aprimorado, e desenvolvido.
Ainda que, tal como espero, o poder absoluto destas indignas figuras seja interrompido em outubro próximo e as mesmas corridas sem apelo nem agravo do interior do ‘condomínio da 5 de Outubro com um valente e robusto pontapé no sítio onde as costas mudam de nome, o futuro do valonguenses continuará, no entanto e irremediavelmente, hipotecado por longos anos, graças aos desmandos, à megalomania, à incompetência desta gente – a lamentável “casa da democracia” e os 30 milhões que o mamarracho irá custar até à sua inauguração será (apenas) mais uma esticadela mais no garrote já apertado por outros desvarios, que ameaça tornar (ainda) mais difícil e ofegantel a respiração dos valonguenses.
- Em Alfena, também ‘não se passa nada’, ou seja, o ‘admistrador do condomínio’ e os seus administrativos lá continuam em ‘dedicação exclusiva’ a tapar buracos a cortar (algumas) ervas entre as muitas que sobram por cortar, a embelezar rotundas com ferro e ferrugem, pedrinhas coloridas colocadas de forma engraçadinha e ‘naïf’ e flores bonitinhas e de acompanhamento e manutenção problemáticos...
O ‘elefante branco’ que é o Museu do Brinquedo – onde apenas a ferrugem, ironicamente, não é sinal de decadência - continua longe dos alfenenses, longe do Brinquedo e longe sequer de se aproximar dos propósitos avançados na altura da apresentação do projecto;
- O Parque Vale do Leça, esse continua a ser uma fatia demasiado volumosa no computo do ‘bolo’ orçamental, desviando meios que ficam a faltar ou a escassear nas outras fatias e continua sem água potável, sem umas, ainda que muito simples, instalações sanitárias;
- Por outro lado, o “outro” Parque Vale do Leça – o da cafetaria ‘Doces da Meg’ – da responsabilidade da Câmara, também continua deficitário em espaços verdes e árvores que se vejam e o anfiteatro, esse lá permanece à espera de um primeiro evento que ninguém garante que venha a ocorrer – antes que a degradação por via da falta de uso se torne (ainda) mais evidente;
- Por último, por agora, o novo edifício da Junta cujo projeto foi há dias anunciado e cuja necessidade ninguém contesta, o único pressuposto do qual deveria (deve) partir é que os dinheiros públicos têm de ser administrados com parcimónia e adequação à concreta realidade da nossa terra e a uma rigorosa e atenta ponderação na relação ‘custo-benefício’ com os cidadãos – sempre com os cidadãos como centro de todas as decisões – seja elas arquitectónicas, estéticas, de qualidade/conforto, etc. – e não, como parece ser o caso, com o foco nas pequenas vaidades resultantes de egos desmesurados relativamente ao interesse comum. Tal como gritamos - sem sermos ouvidos – em relação ao 'mamarracho' de Valongo, não queremos edifícios difíceis de gerir e conservar, nem ‘casas de telenovela’, com amplos desadequados e desmesurados ‘open space’ – ‘palavrão’ agora muito em voga para designar grandes salas em espaço aberto - para encher o olho de quem nos vê de fora ou embelezar páginas de Faceboo que ninguém lê.
Cada euro, cada cêntimo que se gasta numa autarquia, deve visar sempre e em primeiro lugar o interesse, o conforto e a adequada configuração ao tipo de uso por parte do destinatário (o freguês) e evidentemente também mas só a seguir, ao funcionário que lhe presta o serviço.